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Mais Tecnologia nos Uniformes Militares
Vivaldo José Breternitz
No início de 2001 escrevemos acerca dos wearable computers, os
computadores que uma pessoa carrega consigo, ligados (no sentido de presos)
às suas roupas de trabalho e dotados de recursos que permitem a seus
usuários utiliza-los enquanto conservam suas mãos livres para outros
trabalhos. Dizíamos que não eram apenas versões menores dos notebooks, mas
sim equipamentos especialmente projetados para uso em trabalhos de campo.
A General Dynamics, grande fabricante de sistemas de defesa (em português
claro, armas), informa ter no início deste mês fechado com o exército
americano um contrato que radicaliza esse conceito: serão inicialmente US$
100 milhões, podendo chegar a US$ 3 bilhões, para desenvolver e produzir
novos uniformes para a força. Protótipos desses novos uniformes deverão
estar prontos em 2006; as primeiras unidades devem recebê-los em 2010, a um
custo entre US$ 10 e 30 mil por soldado.
A idéia básica é que cada soldado, veículo ou drone (avião não tripulado
de que falamos recentemente) faça parte de uma rede; os soldados deverão
receber informações dos drones e de centros de comando na forma de som e
imagem, devendo ter também a capacidade de transmitir os dados que
obtiverem, para processamento e disseminação das informações geradas a
outros soldados e sistemas de armas. O objetivo maior é aumentar a
"letalidade" das forças americanas e ao mesmo tempo tornar o campo de
batalha um ambiente menos inseguro para seus soldados.
Os capacetes deverão ter um papel importante: não mais servirão apenas
para proteção do soldado, mas servirão de suporte a câmera, antena de
sistema GPS, microfone e receptores de radio. Uma tela poderá ser aberta
para visão de mensagens recebidas de centros de comando na forma de texto ou
imagem.
A idéia vai além: pretende-se cortar pela metade o peso médio transportado
por um soldado de infantaria, que hoje é de cerca de 45 quilos. Isso será
feito tornando mais leve a proteção blindada que cada soldado carrega
(coletes à prova de bala e os próprios capacetes), bem como criando veículos
não tripulados (já chamados "mulas") que carregarão suprimentos acompanhando
os soldados.
Mas existem dúvidas: a relação custo x benefício seria favorável? Fontes
da indústria bélica (talvez enciumados pela vitória da General Dynamics)
manifestaram dúvidas quanto ao efetivo funcionamento dessa parafernália,
dizendo que o software necessário será muito complexo, e portanto sujeito a
falhas que poderiam colocar em perigo os soldados numa situação de conflito
real. O próprio hardware, embora em sua maioria adaptação de equipamento já
disponível para uso civil, estaria, em função do uso em ambiente hostil,
sujeito a glitches (falhas), que poderiam também comprometer o sucesso das
operações e a segurança dos soldados.
A possibilidade de obter um contrato de 3 bilhões de dólares certamente
fará com que os interessados encontrem formas de deixar essas questões de
lado. Casos como o do caça F104, usado por muitas forças aéreas da Europa
(35% do efetivo perdido em acidentes) e do jato de ataque Harrier utilizado
pelos fuzileiros navais americanos, ambos conhecidos como Widow Makers
(fazedores de viúvas), certamente serão discretamente colocados de lado.
Data de Publicação: 30/06/2003
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