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Internet: Relatório da UCLA mostra impactos em diversos setores
Vivaldo José Breternitz

A UCLA (University of California, Los Angeles), publicou recentemente relatório acerca de pesquisa que efetuou a respeito da utilização da Internet, abordando diversos aspectos, como perfil dos usuários, compras, uso da rede no trabalho, impactos em diversas áreas, etc.

Trata-se de um trabalho abrangente, elaborado com critérios científicos, e que por isso tem um valor bastante grande para todos os interessados no tema. Evidentemente, os dados foram coletados nos Estados Unidos, mas a prática tem mostrado que algumas das conclusões a que se chegou podem ser transpostas, com alguma segurança, para nosso ambiente. Além disso, a UCLA pretende que o projeto seja permanente, acompanhando a evolução do uso da rede e também realizar estudos similares em outros quinze países, dentre eles, o Brasil.

Neste artigo, vamos apresentar algumas das conclusões do relatório acerca dos impactos da Internet sobre seus usuários nos aspectos sociais e psicológicos, aspectos estes que não tem sido abordados em outros estudos com a mesma freqüência que os aspectos demográficos, por exemplo.

Um dos pontos que vem sendo objeto de preocupação de pais e educadores é o relacionamento das crianças com a rede - a pesquisa constata, de forma categórica, que o acesso freqüente não prejudica notas e que elas não estão se isolando, trocando o contato com seus pais e outras crianças pelo uso da rede: 70,5% das crianças estariam mantendo suas notas num mesmo patamar, e apenas 3,3% estariam tendo notas piores. Já com relação à interação com outras crianças, a pesquisa aponta a manutenção do mesmo grau em 89% dos casos, contra uma diminuição de cerca de 7%.

Quando se fala em crianças castigadas há quase sempre, ao menos nos segmentos médio e superior da sociedade brasileira, uma percepção de que castigos são uma atitude medieval, fora de moda, que não deve ser adotada por pais esclarecidos. Não se pretende aqui discutir a validade dessa percepção ou da aplicação de castigos, mas a pesquisa da UCLA mostra que na sociedade americana a negação do acesso à Internet é uma punição comumente aplicada às crianças: 30,6% dos pais a adotam - mais comum ainda é a proibição do uso da TV, adotado por 48,7% dos pais.

O acesso a sites que promovem a violência, drogas e pornografia, é outra preocupação: a grande maioria dos pais declarou manter controle acerca do que os filhos acessam, inclusive instalando software de proteção, exigindo que estes peçam permissão para se conectarem, etc. As respostas dadas por usuários abaixo de dezoito anos confirmam aquilo que muitos sentem: os pais acreditam que podem manter um controle adequado, mas na prática, isso não acontece - os jovens que confirmam a existência de controle dos pais são 63,8%, contra 88% dos pais que afirmam manter esse controle... O controle de acesso a esses sites será ainda mais complexo à medida em que novos dispositivos puderem acessar a rede e em que a banda larga permitir navegação e downloads mais rápidos.

Muitos têm manifestado preocupação acerca da diminuição das atividades desenvolvidas em conjunto pela família. A pesquisa revela que quase 50% das pessoas acessam a rede em conjunto com outros membros da família - embora o tema não tenha sido abordado, provavelmente essas pessoas não trocaram outras atividades desenvolvidas em comum pela Internet, que no caso parece ter atuado como um fator de aglutinação; confirmando esse sentimento, 91,8% dos entrevistados declararam que desde que a Internet passou a ser acessada de seu domicílio, os membros da família passam o mesmo ou mais tempo juntos. Além disso, aqueles que se declararam ignorados por algum familiar, por estar esse familiar se dedicando à Internet, são em número inferior àqueles que se declararam preteridos por atenção à TV.

Com relação aos conhecimentos on-line, usualmente iniciados nas salas de chat, 12,4% dos entrevistados reportaram que essas conhecimentos evoluíram para amizade pessoal. Além disso, detetou-se que as pessoas passaram a ter mais contato com seus familiares, amigos e colegas de trabalho em função das facilidades proporcionadas pelo correio eletrônico. Isso posto, pode-se concluir que a Internet pode ser um catalisador para a criação e manutenção de ligações pessoais.

Analisou-se também o impacto do uso da Internet sobre outras atividades, como contatos com amigos, atuação em clubes e outras organizações, exercícios físicos e sono, não tendo, em nenhuma delas, se observado diferenças significativas entre os grupos usuários ou não da rede.

Do que se viu aqui pode-se concluir que, ao menos nos aspectos psicológicos e de socialização, a Internet não representa uma ameaça. Evidentemente, a análise de temas como comércio eletrônico, privacidade e outros pode levar a conclusões diferentes, com a rede apresentando-se ora como uma grande ameaça (no caso de perda da privacidade) ou uma extraordinária ferramenta para desenvolvimento em algumas áreas, como a educação à distância, por exemplo. Como toda tecnologia, cabe-nos definir se a utilizaremos prioritariamente para o bem ou para o mal.

Data de Publicação: 23/01/2001


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Comentários

De: Nicole Stade (nstade@terra.com.br)
"É preocupante a falta de controle que nós temos em relação ao que nossos filhos e até irmãos(ãs) mais novos acessam na internet. Já é trabalhoso para nós adultos, separar a informação útil da inútil, imagine para crianças e adolescentes que muitas vezes não têm a educação e o senso crítico necessário para avaliar o que estão absorvendo. Um grande abraço e parabéns pelo artigo."