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Telecomunicações: mais uma batalha de gigantes
Vivaldo José Breternitz
A chamada “última milha” (last mile) sempre foi o pesadelo dos profissionais de telecomunicações: trata-se do trecho, usualmente curto, que conecta as residências e escritórios aos canais de comunicação de banda mais larga. Esse trecho, normalmente constituído por linhas de tecnologia mais antiga e freqüentemente instaladas de forma mais precária, acaba comprometendo a performance não só de serviços mais sofisticados, como a Internet, mas às vezes até mesmo do serviço telefônico padrão. Para superar esse problema, várias soluções têm sido tentadas, como a instalação de fibra ótica, dispositivos sem fio (wireless), etc.
Uma nova alternativa começa a ser considerada para superar esse problema: a utilização da rede elétrica de baixa tensão, através da qual poderão chegar às nossas casas e escritórios a Internet em alta velocidade, a televisão “on demand”, etc. O grande apelo dessa necessidade é seu baixo custo, pois a rede de distribuição já existe (a rede elétrica é muito mais capilar que a rede telefônica), não sendo necessárias obras de infraestrutura para sua implantação, como é o caso das redes de fibra ótica, por exemplo.
A idéia não é nova, porém só agora se torna viável. Modems especiais instalados em cada domicílio se ligarão a concentradores localizados junto às estações que transformam a energia transportada pelas linhas de alta tensão para o padrão doméstico de baixa tensão; esses equipamentos viabilizarão o transporte conjunto da energia elétrica e dos dados para “nós” compostos de cerca de 200 domicílios; técnicas de criptografia garantirão o sigilo. O serviço será cobrado em função do volume de dados transferido.
Essa tecnologia é conhecida como PLC (Power Line Communications) ainda não foi padronizada; várias empresas estão estudando o tema e até mesmo iniciando aplicações comerciais, mas a padronização ainda vem sendo discutida pelo “PLCForum”, uma organização baseada na Suíça que pretende discutir o tema não apenas sob a ótica da padronização, mas também da promoção da tecnologia.
A empresa alemã RWE promete para julho o lançamento de seu serviço “Powerline”. A RWE espera contar com cem mil usuários até o final de 2002, quando pretende estar oferecendo também serviços de telefonia via protocolo IP.
Apesar do entusiasmo que o assunto vem despertando, deve-se observar que alguns dos grandes “players” do mercado como a Siemens, por exemplo, resolveram concentrar seus esforços numa tecnologia “rival”, a ADSL (Asymmetric Digital Subscriber Line), que ao invés dos cabos elétricos, utiliza a rede telefônica existente para transmitir dados em alta velocidade.
Quanto ao Brasil, a RWE informa estar negociando com a Companhia Parenaense de Energia Copel; já o serviço ADSL é oferecido por diversas empresas da área de telefonia, como a Telemar (Velox) e Telefônica (Speedy).
Na realidade, parece que se trata de uma luta para estabelecimento de um padrão dominante, com as companhias telefônicas tentando oferecer mais serviços através da estrutura de que já dispõem e enfrentando novos adversários que vêem no crescente mercado de serviços de telecomunicações gerado pela Internet uma oportunidade de grandes ganhos só o futuro dirá se dessa luta emergirá um vencedor ou se os dois sistemas coexistirão.
Data de Publicação: 22/05/2001
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