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WideBiz

A internet superveloz alterando modelos de negócios
Vivaldo José Breternitz

Que tal se pudéssemos baixar da Internet o último CD de nosso artista
predileto em apenas um segundo? Sonho? Ficção? Ainda é, mas talvez num prazo
não muito distante isso poderá ser rotina, graças à Internet2.

A Internet2 é uma iniciativa voltada para o desenvolvimento de tecnologia
e aplicações avançadas de redes para a comunidade acadêmica e de pesquisa. A
iniciativa envolve universidades, agências de governos e indústrias, e
atualmente está focada em aplicações como telemedicina, bibliotecas
digitais, laboratórios virtuais e outras que não são viáveis com a
tecnologia Internet atual. O objetivo final não é somente atender a área
acadêmica, mas também a transferência ao setor comercial das tecnologias
desenvolvidas e testadas ao longo da execução dos projetos.

Nesse ambiente, em 1º de outubro passado, cientistas do California
Institute of Technology (CalTech) e do CERN (European Laboratory for
Particle Physics) quebraram o record de velocidade de transmissão de dados,
enviando em trinta minutos 1,1 terabyte (um terabyte corresponde a
1.099.511.627.776 bytes) de Genebra a Pasadena (sete mil quilômetros de
distância), numa velocidade media de 5,44 gigabits por segundo; um
gigabyte é igual a 1.073.741.824 bytes ou 1.024 megabytes.

Traduzindo para uma linguagem mais convencional: essa é uma velocidade
vinte mil vezes maior que a de uma conexão ADSL comum, e nos permitiria
transmitir o conteúdo de um DVD em cerca de sete segundos. Em um terabyte,
seria possível armazenar um milhão e meio de vezes o texto da Divina
Comédia, de Diante Alighieri, obra que numa edição comum contém
aproximadamente oitocentas páginas.

O objetivo principal dos pesquisadores envolvidos é permitir que os
trabalhos científicos envolvendo pesquisadores fisicamente distantes sejam
realizados de forma mais eficiente, inicialmente aqueles envolvendo física
nuclear. Alguns desses experimentos exigem a movimentação e processamento de
arquivos de dados de cerca de um petabyte (1.125.899.906.842.624 bytes ou
1024 terabytes).

Mas o objetivo final é ainda mais ambicioso: chegar a 10 gigabits por
segundo, praticamente dobrando a velocidade ora atingida; se lembrarmos que
o record anterior, de 2,38 gigabits por segundo havia sido estabelecido em
fevereiro, esse objetivo final não parece tão ambicioso.

É certo que transmitir dados a essa velocidade ainda será um privilégio
reservado a alguns cientistas; acreditamos que um bom tempo transcorrerá até
que os usuários domésticos vejam seus sonhos se tornando realidade. E
atenção internautas: pirataria ainda é crime... Mas acreditamos também que
os empresários e estrategistas devam acompanhar o assunto muito de perto,
pois quando essas velocidades se transformarem em rotina, determinados
modelos de negócio se tornarão viáveis, enquanto outros sairão de cena.

Data de Publicação: 26/01/2004


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