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WideBiz

Plágio
Vivaldo José Breternitz

Plagiar sempre foi uma tentação nos meios estudantis, e a Internet aparentemente está permitindo que mais e mais estudantes cedam a essa tentação.

É importante lembrar que esse problema não se restringe à área acadêmica: freqüentemente músicos e escritores respondem nos tribunais a acusações de plágio; recentemente, um procurador, que está (ou estava..) entre mais os respeitados integrantes do Ministério Público do Estado de São Paulo, vinha sendo investigado por plágio: o trabalho (767 páginas) que lhe valeu o título de Livre-Docente em Direito Penal de uma de nossas mais tradicionais faculdades de Direito, conteria trinta e oito páginas copiadas de texto de autoria de um procurador da República. No âmbito legal, o assunto é tratado principalmente pela lei 9.610, de 19 de fevereiro de 1998.

Mas, voltando ao meio estudantil: a situação é tão grave, que em determinados sites, como o da Universidade Federal de Santa Catarina que apresenta uma preciosa coleção de teses e dissertações (http://www.eps.ufsc.br/informa/pub.htm), há alertas sobre o assunto.

Como não poderia deixar de ser, nos Estados Unidos, em função do maior uso da Internet, o assunto vem tomando proporções mais graves como sempre ocorre, tal fenômeno deve começar a nos atingir mais seriamente em breve, pelo que talvez valha a pena verificarmos o que vem sendo feito lá para que possamos nos precaver aqui.

Inúmeros sites vem oferecendo coleções de trabalhos sobre uma grande variedade de temas. Desde teses e dissertações, até trabalhos para alunos do ensino básico, passando por monografias e textos diversos.

Nossos colegas professores americanos detectam alguns sintomas que também verificamos aqui: alunos desinteressados, medíocres, repentinamente apresentam trabalhos excepcionais quase que certamente é caso de plágio. Como aqui, as escolas americanas reagem a esses casos de formas diversas, advertindo ou reprovando o aluno ou então, nos casos das escolas que dispõem de códigos de conduta rígidos, simplesmente expulsando o plagiador infelizmente, pouquíssimas escolas brasileiras adotam esses códigos.

Porém, como tem ocorrido em muitas áreas, a tecnologia está começando também a auxiliar na caça aos plagiadores, já estando disponíveis nos Estados Unidos serviços baseados na Internet e que pretendem apontar prováveis plágios.

Em 1995, um grupo de pesquisadores da Universidade da Califórnia lançou o serviço www.turnitin.com, permite que professores e alunos comparem textos com outros espalhados pela Web; o serviço é pago, custando cerca de US$ 1.000 ao ano para high schools e US$ 2.000 para Universidades, sendo cerca de mil as instituições de ensino usuárias.

Segundo avaliação de John M. Barrie, um dos fundadores do Turnitin, cerca de um terço dos textos analisados pelo site são parcial ou totalmente copiados de outros, sem qualquer menção à origem. Segundo Barrie, seus usuários consideram que o fato de seus alunos saberem que seus textos serão analisados, reduz sensivelmente as ocorrências de plágio.

Já Jamie McKenzie, editor do “From Now On - The Educational Technology Journal” (www.fno.org), considera que o maior problema do plágio é levar os estudantes ao que ele chama de \"mental softness\" (uma boa tradução talvez fosse “flacidez mental”), o que faria com que os estudantes adotassem em relação aos seus trabalhos uma postura de “quanto maior melhor”, produzindo trabalhos longos em detrimento de pesquisa corretamente efetuada e centrada no objetivo do trabalho que lhes foi pedido.

Há que se considerar também a atitude dos pais: freqüentemente não consideram a atitude de seus filhos uma ofensa à ética, mas sim um fato normal da vida acadêmica, o que obviamente não é.

Já reprovei, sem nenhum tipo de dor de consciência, alunos que apresentaram textos absolutamente iguais; tomei essa decisão acreditando que os estava preparando melhor para a vida, pois os mesmos deverão competir num mercado de trabalho que não tem a menor complacência para com os incompetentes e mal formados e com aqueles que ofendem a ética empresarial.

Encerrando com um toque de humor: em um desses casos, alunos analisavam um caso que em minha opinião é um curso de administração em si mesmo: o lançamento do barbeador Mach 3, da Gillette dois deles, em todo o texto que “produziram”, usaram a expressão “March” cometeram o crime e sequer se preocuparam em apagar as pistas...

Data de Publicação: 17/07/2001


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