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Os PCs Completaram 20 anos
Vivaldo José Breternitz
Em 1975 foi vendido o primeiro microcomputador. Era o Altair, com memória de 256 bytes, fornecido sob a forma de kit a ser montado pelo usuário e custando US$ 391. A máquina não tinha monitor de vídeo, teclado, disco de qualquer espécie nem possibilidade de ser ligada a uma impressora. Era programada através de “switches”, e os resultados do processamento fornecidos por luzes situadas no painel. O Altair rodava um compilador BASIC escrito por um grupo de visionários, dentre eles, Bill Gates.
Em 1976, a Apple começou a vender seus micros, ainda sob a forma de kits mas já com teclado e monitor. Em 1977, essas máquinas começaram a ser vendidas através de lojas, não mais apenas diretamente pelo fabricante; desse ano até 1981, várias outras empresas começaram a fabricar e vender micros, sendo as mais conhecidas Commodore, Tandy, Osborne, Radio Shack e Texas Instruments. Já nessa época, os fabricantes procuravam produzir máquinas mais potentes, menores e baratas, tendo sido vendidas até o final de 1980, cerca de 720 mil máquinas.
Em 1981, o mundo da informática mudou radicalmente: no dia 12 de agosto a IBM, o maior fabricante de computadores da época, apresentava seu IBM PC (pela primeira vez a expressão “Personal Computer” era utilizada): 64 kilobytes de memória, monitor em “branco e preto” e um custo de US$ 2.665. A IBM até então se concentrava em grandes computadores e já havia feito uma tentativa, sem sucesso, na área dos micros; buscando reverter a situação, passou a procurar um microprocessador que pudesse atender às suas exigências. O escolhido foi o 8088, produzido por uma empresa até então pouco conhecida, a Intel, que no processo venceu a Zilog e a Motorola.
Quanto ao software, a equipe do projeto que estava baseada em Boca Raton (Flórida), desejava que quando do lançamento da máquina estivessem disponíveis as linguagens Basic, Cobol (que era à época a linguagem mais utilizada em aplicações empresariais) e Fortran, rodando sob um sistema operacional adequado.
Como o software disponível na IBM não era adequado ao novo processador, radicalmente diferente dos utilizados até então pelas máquinas produzidas pela empresa, seus profissionais foram então buscar soluções entre os jovens que já estavam trabalhando com micros; diz-se que a solução favorita era a que havia sido desenvolvida por Gary Kindall, da Digital Research, que na ocasião perdeu a chance de se tornar bilionário, pois estaria pescando e sua mulher não sabia como encontra-lo...
O próximo a ser procurado teria sido o jovem Bill Gates, que não dispunha de um sistema operacional adequado ao processador Intel, mas que se dispôs a desenvolve-lo no prazo desejado, partindo do QDOS. Consta que por ter sido “inspirado” no CP/M, o QDOS foi batizado por seu “criador” Tim Patterson como “Quick and Dirty Operating System” (algo como “Sistema Operacional Rápido e Desonesto”).
De qualquer forma, não eram muito grandes as preocupações com propriedade intelectual na época, ao menos no que se refere a software, tendo Gates adquirido os direitos sobre o QDOS pagando US$ 50 mil a Patterson, que era um desenvolvedor free lancer. Realmente, esses US$ 50 mil foram um belo investimento, pois desde 1981, praticamente todos os PCs e assemelhados produzidos rodam software que gera royalties que vão diretamente para os bolsos de Bill...
O sucesso foi imediato: inúmeros outros fabricantes passaram a copiar o IBM PC, que se tornou um padrão, com milhões de máquinas produzidas. Muitos dizem que esse “velhinho” de vinte anos vai morrer em breve, mas sua capacidade de sobrevier tem sido posta à prova constantemente e ele tem se saído bem, mostrando grande capacidade de adaptação às novas condições ditadas pelo mercado. Sua última grande batalha vencida (até o momento) foi contra o Net Computer, um computador extremamente simples, que pretende transferir para Internet quase todo trabalho executado pelo PC.
Mas o futuro começa amanhã, trazendo a pergunta: como será o PC do futuro? Novos recursos de telecomunicações, os avanços da nanotecnologia e em outras áreas tornam qualquer especulação pura leviandade. Seria interessante pesquisar quais as previsões que os especialistas faziam para o futuro dos PCs em 1991 e compará-las com a realidade. Poucas coisas podem ser dadas como certas, e uma delas é o que dizia Adam Osborne na edição da revista “Time” de 3 de janeiro de 1983, que anunciava o PC como o “Homem do Ano” de 1982: “O futuro está em projetar e vender computadores com características tais que as pessoas nem percebam que são computadores”...
Data de Publicação: 10/09/2001
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