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GUERRA: GERANDO TECNOLOGIA PARA A VIDA CIVIL
Vivaldo José Breternitz

É notório que tecnologia desenvolvida para fins militares acaba sendo
aplicada no mundo civil. A Segunda Guerra Mundial gerou inúmeros artigos
diferentes, desde os motores a jato até a fita adesiva, que à época era
conhecida como "duck tape" (hoje "duct tape") e usada para fins tão
díspares como conserto de viaturas e aviões, isolamento de cabos elétricos,
etc.

A primeira guerra do Golfo, em 1991, popularizou o uso dos GPS (Global
Positioning System), hoje freqüentemente instalados até mesmo em veículos
pouco sofisticados como carros e barcos de recreio e utilizados também por
entusiastas de trilhas, ralis, etc.

Mais recentemente, o veículo militar "High Mobility Multipurpose Wheeled
Vehicle", HMMWV ou "Humvee" transformou-se em objeto de desejo e símbolo
de status entre os jipeiros, apesar do preço de sua versão civil estar ao
redor de US$ 50 mil.

O recente conflito no Iraque deve também popularizar novas tecnologias. Os
UAVs, "Unmanned Aerial Vehicles", também conhecidos como "drones", pequenos
aviões sem piloto, vêm sendo utilizados intensivamente em missões de
reconhecimento. Provavelmente, em breve, estarão executando regularmente
missões de ataque, voando em altitude muito baixa e assim conseguindo "ver"
e atacar o inimigo mais de perto, com menos riscos de serem detectados por
radares (a versão de ataque é chamada "Predator"). Para uso civil, suas
possibilidades são imensas: apoio à polícia, aos bombeiros, filmagens, etc.

Entre outros equipamentos digitais, espera-se que possam ter uso civil os
sensores e radares avançados, que em combate são utilizados para "ver"
melhor o interior de bosques e edifícios. Para fins civis, poderão ser
utilizados em automóveis advertindo os motoristas acerca da proximidade de
outro veiculo e na medicina, melhorando equipamentos de ultra-som e de
monitoramento de pacientes à distância.

Na área médica, a marinha americana está colocando em uso pela primeira
vez um hospital de campo equipado com redes "wireless", telefonia via
Internet, "links" com servidores que armazenam dados de seus possíveis
pacientes, etc., dispensando totalmente o uso de formulários e arquivos em
papel. A experiência ganha na guerra poderá ser aplicada no atendimento a
vítimas de catástrofes como terremotos, inundações, etc.

Entre os equipamentos que vem sendo utilizados neste hospital e por outras
unidades atuando no Iraque, estão "laptops" e periféricos adaptados para
melhor suportarem choques, poeira, umidade, etc. Esses equipamentos já estão
se tornando populares entre caminhoneiros, e outros trabalhadores que
necessitem atuar em condições ambientais adversas.

A guerra é algo realmente triste. Inocentes pagam a maior parte da conta.
Nossa esperança é que a tecnologia possa ao menos contribuir para minorar
os sofrimentos das vítimas e tornar melhor a vida dos sobreviventes.

Data de Publicação: 12/05/2003


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