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WideBiz

Calar os celulares
Vivaldo José Breternitz

A chegada dos telefones celulares trouxe-nos uma série de benefícios, e também alguns problemas: passou a permitir que exibamos nossa falta de educação, com celulares tocando em teatros, cinemas, hospitais e outros locais públicos; exigiu que empresas de aviação vedassem seu uso a bordo, por poderem interferir nos instrumentos das aeronaves, etc. Mais recentemente, os celulares foram os vilões das revoltas ocorridas nos presídios paulistas, tendo alguns “experts” dado declarações no sentido de que se esses aparelhos fossem banidos dos presídios, todos os problemas da área estariam resolvidos. Logo, outros “experts” foram à mídia, propondo entre outras coisas, que os presídios fossem envolvidos com telas semelhantes às utilizadas em galinheiros, o que impediria o funcionamento dos celulares deve ser verdade, pois até agora não vi sequer um galo ou galinha usando um desses aparelhos...

Mas, brincadeiras e falta de educação à parte, é possível impedir o funcionamento desses aparelhos numa dada área: basta um emissor de ondas de rádio que interfira nos sinais que chegam ao celular ou um equipamento que impeça a sincronização do telefone com sua estação base; como a área em que essas soluções são eficientes é função da potência dos equipamentos utilizados, seu uso pode gerar problemas fora da “zona de silêncio” pretendida. Outras soluções poderiam ser empregadas, como evitar a introdução de telefones onde está proibido seu uso, utilizando para isso scanners que “bipam” quando detectam o sinal emitido pelo celular para contatar sua estação base.

Os problemas que podem ser gerados fora da “zona de silêncio” fizeram com que esses equipamentos fossem proibidos nos Estados Unidos. Mas em outros países, sua utilização tem crescido: a empresa israelense NetLine (fundada em 1998) tem vendido sua solução C-Guard em vários países da Europa e América do Sul; o C-Guard, que é um subproduto da tecnologia criada pela área de guerra eletrônica do exército de Israel, é constituído de um emissor do tamanho de um livro, com diversas antenas espalhadas pela área que se deseja silenciar há também uma versão simplificada que aciona um alarma quando um celular ligado entra na área protegida. As aplicações são as mais variadas: igrejas, museus, empresas e até agências bancárias, onde se pretende evitar que avisos sejam dados a ladrões que estariam na rua esperando vítimas que realizaram saques de porte; sua versão básica custa cerca de US$ 1.000.

Há ainda outras soluções, como o sistema Q-Zone da empresa americana BlueLinx (fundada em 1999), que aborda o problema de outra forma: não cala o celular (atua também contra “bips”), mas reduz o nível de sua campainha e quando for o caso, automaticamente coloca o aparelho na modalidade “vibra call”. Cada módulo do aparelho é eficiente num raio de dez metros, e custa cerca US$ 600.

Esse é um caso clássico quando se trata de tecnologia bélica e seus subprodutos: surge uma tecnologia e quase que imediatamente outra aparece tentando anular a primeira e essas tecnologias acabam sendo empregadas no sentido de minorar os problemas da vida diária. Com tudo isso, acaba nos restando o consolo de que as fortunas gastas em programas militares não foram totalmente desperdiçadas, e a esperança que de alguma forma esses gastos acabem gerando um retorno positivo a todos.

Data de Publicação: 02/04/2001


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