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Significando o insignificante
Sílvio Corrêa
Quantas vezes deixamos de dar atenção a alguém por “acharmos” que o motivo dele, tem pouca importância; é insignificante.
Quem já entrou em comunidades virtuais, certamente já passou pelo dissabor de se apresentar e ninguém, nem mesmo o moderador, quando a comunidade é moderada, enviar uma pequena, diminuta mensagem dizendo: “Oi Fulano, seja bem-vindo. É uma satisfação tê-lo conosco.”
Comigo, ainda bem, aconteceu pouquíssimas vezes.
Não venham me dizer, como já ouvi, que comunidade virtual é diferente da comunidade presencial, pois o ambiente é outro. O problema não está no ambiente e sim, na comunidade.
Ninguém gosta de se apresentar a um grupo de pessoas e ser, descaradamente, ignorado.
O que achamos insignificante, tem muito significado para o outro, caso contrário, ele não iria de se expor. Não temos que concordar e nem aceitar, mas temos que respeitar. Isso acontece muito em um “thread” (debate sobre um determinado assunto), onde você emite sua opinião e ela é totalmente ignorada e descartada.
Mas isso me incomodava muito pouco, pois achava insignificante.
Até que ontem aconteceu um fato, que me pôs a pensar.
Desde dezembro passado, estou aguardando a chegada da placa do meu carro. Cada vez que eu ia no despachante, a resposta era a mesma. Dá-lhe renovação do protocolo, e parada, a cada posto da polícia rodoviária, para explicar o porque da falta da placa.
Ontem, quando fui renovar o bendito protocolo, perguntei, como quem não quer nada, se a placa estava pronta. O rapaz ligou para o Detran, que confirmou a chegada da placa.
Vocês não fazem idéia da alegria que eu fiquei. Era como se o carro, estivesse nu.
Quando a placa foi colocada, me senti alegre, exultante, quase orgulhoso, por estar com meu carro, agora sim, completo. Pode ?
Sim, eu entendi que pode. O que é insignificante para mim, pode não ser para você. Mas isso não significa que, solenemente, eu tenha que ignorar a sua fala.
Pois é; é muito difícil nos colocarmos na posição do outro. Minha observação não quer dizer que eu consiga, mas antes, que eu procuro fazê-lo. No entanto, quando consigo, fico exultante.
Pessoal, esse texto não é um artigo, mas, digamos, uma reflexão pública.
Abraços significativos
Data de Publicação: 30/05/2001
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