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WideBiz

No Reboque do Trem das Evidências
Silvio Corrêa

Um modelo de relacionamento ressurgirá na trilha existente, e reaberto pela difusão do Manifesto Cluetrain.

A rede mundial não é apenas sites ou B2B ou B2C ou webmarketing. Ela é, principalmente, HUMAN TO HUMAN - em inglês mesmo, para não fugir do padrão - ou, abreviadamente, H2H.

É natural que seja assim. Sempre foi assim e, acreditem, sempre será; no ambiente virtual e presencial.

A rede está permitindo uma ressocialização do homem. Já era tempo!

Estamos rompendo as paredes que por muito tempo nos prenderam sob o argumento da célula familiar. Nas grandes cidades e capitais, é raro encontrarmos moradores que mantenham uma conversação constante com o seu vizinho e nas cidades menores, onde esse relacionamento sempre foi corriqueiro, também está deixando de existir.

A cada dia novas conversações surgem, como em um passe de mágica. Arrisco em dizer que surgem de forma quântica.

Temos, segundo as últimas estimativas, 14 milhões de vizinhos internautas brasileiros.

Há muito, ainda no mundo presencial, alguns "iluminados" já haviam apontado a conversação como a forma natural de se fazer negócios. Hoje, no mundo virtual, a repercussão do Manifesto Cluetrain mostra que eles estavam certos e que perdemos muito tempo não dando "ouvidos" ao que era cristalino.

O maior problema de qualquer organização, seja empresarial, familiar ou outra, é o relacionamento humano. E meus amigos, relacionamento humano se resolve com diálogo, com entendimento, com conversação.

A conversação virtual, exige a transparência de ambos. Isso será fundamental no teletrabalho. Ninguém poderá saber se você está com algum problema olhando para seu rosto. Você terá, literalmente, que dizer.

Não poderá existir, no mundo virtual, assunto mal resolvido. A conversação será levada ao último grau para que não restem dúvidas. A dúvida, coloca em risco o processo.

O interessante é que o mundo virtual está trazendo essa necessidade de relacionamento, de conversação, para o presencial. Pipocam a todo instante, encontros de pessoas, de comunidades, que começaram a se relacionar no mundo virtual. É segunda disso, terça daquilo, quarta daquilo outro e por aí vai.

Alguns encontros fracassam por que as pessoas comparecem para fazer negócios. Nos encontros bem sucedidos, as pessoas comparecem para conversar. O business, é conseqüência.

Meu pai sempre dizia que as grandes decisões não acontecem em reuniões formais. Acontecem na mesa de um bar, de um restaurante, durante a conversa descontraída. Como ele estava correto!!!

Lembram da expressão "um por todos e todos por um". Essa expressão já foi verdadeira nas comunidades Maia e Asteca. Já foi verdadeira nas antigas comunidades indígenas. Pois bem; o "mundo virtual" está nos mostrando que ela ainda é verdadeira.

Vejam as listas de discussões e fóruns. Não existe, aparentemente, lucro premeditado, a moeda é outra. É informação, é ajudar e ser ajudado, é o trabalho da informação que gera conhecimento. Quando surge algum negócio, surge naturalmente.

Faça um teste:

Com quantas pessoas da raça branca você conversa no ambiente virtual?
Quantas da raça amarela?
E da raça negra?
Com quantos da religião espírita?
Católica?
Evangélica?
Quantos são da classe A?
E da classe B, C ou D?
Conseguiu responder? Acredito que não, pelo menos precisamente.
Isso importa para você? Tem relevância na sua conversação?

São perguntas que deixo para reflexão, mesmo sabendo que você, certamente, é desprovido destes tolos preconceitos.

Está havendo uma inversão de influências!

A internet, inicialmente, era conversação, troca de informações. O ambiente físico, começou a influir na rede, no ambiente virtual e a internet começou a refletir o mesmo modo de vivência do mundo presencial.

Aqui começa a inversão. As pessoas estão acordando e vendo que a internet é um outro ambiente. Mais sadio, mais livre, desprovido de pressões que pudessem levá-lo a um ou outro comportamento. Sua "voz" está, finalmente, sendo ouvida por quem quer escutá-lo.

Esse novo ambiente, muito timidamente, começa a influenciar o mundo físico, presencial.

Afinal, estamos "só" conversando.

Data de Publicação: 31/10/2000


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