Enviar artigo | Faça seu comentário
WideBiz

Domingo
Silvio T. Corrêa

Vocês já tiveram a sensação de que se estivessem em um determinado local, os problemas e preocupações desapareceriam instantaneamente?Parece coisa de doido!

Está acontecendo comigo, exatamente agora, da forma como descrito acima.
Uma vontade enorme de estar em um barzinho em Ipanema, saboreando um belíssimo chope “meio a meio”, conversando com o amigos e a cabeça, aos poucos, esvaziando os pensamentos, serenando as tempestades; dando lugar ao gostoso vazio das conversas despretensiosas.

Apenas o fato de imaginar a situação, já diminui a pressão, característica, nos ombros.
A campainha toca. É uma pessoa pedindo um litro de leite para o filho.

Será que ela pensa, como eu, em estar em um barzinho para se livrar, por algumas horas, dos problemas que a aflige? Acredito que não. Os problemas dela, certamente, são maiores que o meu e, à sua maneira, está indo à luta para resolvê-los e não para fugir.

Por alguns minutos fico matutando em como resolver os problemas dos “nada favorecidos”, mas logo me dou conta. Não estou conseguindo solucionar, as vezes nem conviver, com os meus; como poderia ousar resolver aqueles que não são.

Mas quem sabe os meus, não tenham a mesma raiz dos problemas da pessoa que bateu em minha porta. Quem sabe eu não consiga conciliar a solução do meu problema com a solução de outros, ainda que não sejam meus (diretamente), mas que também afligem a mim e, tenho certeza, a muitos outros.

Me lembrei do texto que escrevi há alguns meses sobre “voluntariado”.
Culpar o Estado? Talvez. Mas não seria uma maneira de me livrar da responsabilidade; responsabilidade como ser humano, como integrante da humanidade?

Não adianta, pois a pergunta continua a incomodar. Sabe-se lá por que hoje. Tinha que ser hoje?
Estou fazendo o suficiente para auxiliar os meus semelhantes? Quantas vezes pedi uma chance e não tive! Quantas vezes, diversas pessoas já vieram em meu auxílio!
Como posso querer “receber”, se tenho a sensação de não estar “doando” o suficiente?
Dinheiro? Esse não tenho para doar. Mas posso, com certeza, doar mais do meu tempo, da minha capacidade, dos meus conhecimentos.

Tenho certeza! Auxiliando a resolver os problemas de outros seres humanos, estarei resolvendo os meus. O barzinho; é importante, mas pode esperar!

Data de Publicação: 08/04/2002


Enviar artigo | Faça seu comentário