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A doce vida.
Silvio T. Corrêa
Vamos imaginar, durante a leitura desse texto, que a nossa vida, nossa doce vida, fosse um pedaço de goiabada, doce como a vida deveria ser.
Mas a minha vida não é doce! - dirão alguns. Imagine que você coma um pedaço de goiabada e, logo após, coma algo amargo. Ficará um gosto amargo, com alguns resquícios do doce sabor. Assim é a nossa vida!
Doce, saborosa, prazerosa por natureza, teimamos em torná-la sem gosto, sem sabor.
Para percebermos o doce sabor da vida, precisamos olhá-la como espectadores, como observadores. Vamos perceber o quanto estamos influenciando no sabor que a vida nos oferece.
Pare por alguns momentos e imagine-se em uma bela praia, ao nascer do sol. Esvazie seus pensamentos e apenas sinta, sinta com o coração. Sinta a brisa da manhã de verão, o respingar das ondas no seu rosto.
Ainda sentindo apenas, mude o cenário para um bosque, no nascer do sol, e sinta o orvalho da manhã, as nesgas do sol entre as copas das árvores, o cheiro dos troncos, das flores e folhas que enfeitam o cenário.
Você ainda afirma que a vida não é doce?
Somos nós que permitimos que ela fique amarga!
Tem uma coisa muito interessante. Quando estamos "cheios de si", nos sentindo em um pedestal, saboreando, em abundância, o que a vida nos oferece, passamos a não mais sentir o doce sabor da vida. É como comêssemos uma goiabada inteira e no final, estaremos enjoados, não sentindo mais prazer.
Existe uma fórmula para estarmos sempre saboreando o doce, da vida? Não, não acredito nisso! Acredito sim, em princípios que possam nos ajudar a entender melhor esse mecanismo.
O princípio da Humanidade, por exemplo, nos faz entender que fazemos parte de algo muito maior. Que nossas ações e pensamentos, plasmam a realidade a nossa volta e, como uma bola de neve, plasmam e alteram outras realidades. Tudo que plantamos, colhemos, e assim, modificando a realidade, ela, em retorno, plasmará a nossa realidade. Nessa troca, somos os atores, os únicos, que podem alterar a Humanidade para melhor, pois começamos o trabalho em nós.
O princípio da Humildade, nos apresenta a idéia de que somos falíveis, mas com capacidade de reaprender. Há confusão entre humildade e subserviência, que são atitudes distintas. Na Humildade, existe a coragem de assumirmos nossa falibilidade, nossa ignorância e a humildade de continuarmos crescendo, intelectualmente e moralmente, buscando a prosperidade, sem estacionarmos esperando que a vida não só nos apresente a oportunidade, bem como faça todo o trabalho.
Já o princípio da Honestidade, procura esclarecer que a honestidade para com os outros é importante e que muito mais importante é a honestidade interna, aquela que temos conosco. É essa que ditará nossas atitudes, fazendo da honestidade externa mais que um simples verniz para agradar a sociedade.
Como você reparou, os três princípios são complementares, ou melhor, são indissociáveis. Conhecê-los é bom, praticar é ainda melhor. É bom sabermos que se praticássemos esses princípios integralmente, não estaríamos nesse mundo. Por isso, vá até onde puder.
Cuide da sua goiabada, assuma a responsabilidade sobre ela. Diversos fatores podem tentar tirar o doce sabor da vida, mas antes de conseguir, será preciso que você permita.
Abraços,
Silvio T. Corrêa
Data de Publicação: 28/09/2004
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