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Cadê o queijo que estava aqui?
Roberto Vieira Ribeiro
Na Odisséia de Homero existe uma passagem em que Ulisses se encontra com Calipso, que é imortal por ser filha dos deuses.
Como nunca encontrara com um mortal, ela fica fascinada por ele e, pouco a pouco passa a invejá-lo porque Ulisses não viverá para sempre. A vida dele tem mais sentido, e cada momento, triste ou alegre, adquire um sabor mais acentuado, justamente porque o seu tempo é limitado. E, utilizá-lo com sabedoria é o desafio que dá um tempero especial ao dia a dia.
Mas para ter acesso a esta receita, algumas vezes temos que olhar os acontecimentos através de óculos novos, ver ângulos diferentes e ampliar a visão, para entender as regras atuais do jogo da vida.
É o caso das situações que colocam em cheque anos e anos de trabalho dedicado e, lançam sombras perturbadoras sobre o futuro.
Diante das quais surgem indagações como - Por que eu fui despedido? Ou, por que eu não consigo emprego? Ou ainda, - Por que esta desgraça aconteceu justo para mim?
É claro que as pessoas atingidas estão no seu direito de sentir raiva e frustração, afinal, são cidadãos bons e honestos que foram maltratados pela vida e merecem algo melhor.
Também é verdade que depender de que, outros, encontrem uma explicação justa para o seu caso é agir como Calipso, que tem todo o tempo do mundo mas está infeliz. Pois compreendermos a razão de um acontecimento pode amenizar o desconforto, mas não paga as nossas contas.
E ao invés de questionar “por que isto me aconteceu? Que fiz eu para merecer isto?”, melhor seria perguntar, “- agora que isto me aconteceu, o que eu vou fazer?”
Estar à margem do mercado de trabalho tradicional pode ser indesejável, mas já é um fato previsível a ponto de eu questionar:
- Será se o mercado é mesmo cruel ou alguns de nós é que insistem em comer um queijo que não existe mais?
Evidência disso é que passam os anos e os rituais se repetem: calouros festejam o tão sonhado trote enquanto os formandos, novíssimos, estão disponíveis para o mercado. Deixando em polvorosa os profissionais qualificados, atualizados e experientes, considerados velhos aos quarenta e poucos anos.
O que fazer?
A segurança está em assumir o controle da própria carreira, prevendo esse tipo de situação. E, se for surpreendido, relembrar suas conquistas para resgatar a auto-estima, descobrir nichos, avançar, ocupar espaços e realizar todo o seu potencial. Pois, eu realmente acredito em fazer do limão uma limonada e, que a partir de um desafio pessoal importante, possamos encontrar novos sentidos para a nossa vida.
O sucesso nesta caminhada será mais provável na medida em que o interessado se associe as pessoas certas, consiga o apoio dos que o amam e coloque-se em movimento o quanto antes.
Tenha determinação, força e coragem para empreender, adicionados a perseverança, esperança e vontade, porque são atributos importantes em qualquer situação.
Pois a atitude certa funciona até no reino animal. Foi assim que fez o Jack um poodle apaixonado, quando a Mégui teve cria e o casal foi separado. Inconformado, latiu, ganiu e uivou, chamando atenção de todos na vizinhança. E, só sossegou após lhe devolverem a companheira.
Se for o caso, agradeça a oportunidade que a vida lhe deu para sair da zona de conforto e apreciar novos queijos, suculentos e saborosos. Renove o seu espírito aventureiro e vá atrás deles, onde quer que se encontrem, pois nós os humanos somos livres para escolhermos a direção que vamos seguir e as opções que faremos.
Então, siga adiante e realize os seus sonhos.
Data de Publicação: 20/04/2001
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