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O seu clone em ação
Roberto Vieira Ribeiro
Levei um susto! Foi quando olhei para o espelho e a imagem que vi refletida era a minha, uns 20 anos mais jovem: bonito, esbelto, elegante e com um brilho especial no olhar.
O que está acontecendo? - pensei com meus botões. Está certo que ando meio estressado, mas assim já é demais.
A sensação a seguir foi de agradável confusão, porque me sentia com a energia, juventude e o entusiasmo da pessoa que me fitava e imitava.
Premido pelo tempo, voei para a reunião das dez, pois mal daria tempo de chegar no horário. Esse trânsito! Logo hoje isto tinha que acontecer: ficar olhando o espelho quando compromisso tão importante exigia a minha atenção.
O movimento na avenida era o habitual, intenso. De maneira que, além da paciência e agilidade coloquei a meu serviço os embaixadores universais da boa vontade: o sorriso e a educação. Foi como nos bons tempos: funcionou, o que possibilitou que eu chegasse com preciosos minutos de antecedência. Eu me sentia incrivelmente bem ao dirigir-me para a recepção da diretoria, com porte ereto, passos firmes e olhar confiante.
A apresentação foi a melhor possível, o que, aliás, foi fundamental para o fechamento do contrato. Pois, o projeto era de grande responsabilidade, o cliente exigente e os concorrentes profissionais e competentes. E, se a minha performance tivesse sido a do vendedor de larga experiência, mas sem aquele entusiasmo genuíno teria colocado tudo a perder.
Acontece que o negócio que acabara de concretizar vinha ocupando parte importante do meu trabalho nos últimos meses. Porque era a oportunidade que precisávamos para ocupar posição estratégica em um mercado em crescimento: fornecer para aquele cliente seria a comprovação da qualidade dos nossos produtos e a garantia de faturamento crescente.
No trajeto de volta, com a adrenalina baixando e mais relaxado, o mistério do espelho foi se desvendando.
Ocorre que, com a evolução das negociações e a reunião final se aproximando eu senti na pele a pressão de tamanha responsabilidade, a ansiedade foi às alturas e a insegurança bateu a minha porta: será se eu daria conta do recado? E temia abrir o jogo com meus companheiros, que depositavam em mim toda a confiança. Afinal, há muito que eu já demonstrara capacidade de sobra para conduzir a bom termo qualquer que fosse o negócio.
O tempo foi passando, a pressão aumentando e na véspera da reunião eu já estava a ponto de jogar a toalha, quando vi sobre a estante um de meus troféus de venda. A estatueta de um vendedor, gravada com o meu nome e os dizeres: Campeão dos Campeões. O prêmio mais cobiçado na empresa.
Lembrei-me da convenção em que fui reconhecido, as palestras, os discursos, os aplausos a emoção. E o compromisso que assumi publicamente de seguir adiante e dar o exemplo, sempre. Então, como eu poderia desistir, perder tão boa oportunidade de progredir na carreira e decepcionar essa gente! Porque não repetir o que tantas vezes já tinha realizado?
O expediente estava no final e resolvi ir para casa. No trajeto, em um gesto casual, coloquei no som do carro um cd motivacional, como sempre fiz até ser campeão. Hábito saudável que contribuiu para reforçar o meu aprendizado e ajudou-me a manter o foco.
Quando cheguei estava com melhor disposição e uma certa excitação. Assim que pude, ouvi mais uma gravação, relembrei os apontamentos de minhas palestras preferidas e revi o vídeo da convenção.
Inspirado, organizei os documentos para a manhã seguinte, repassei a nossa estratégia e apresentei entusiasticamente a proposta, tal qual faria na reunião. Senti-me jovem de novo. E quando adormeci, esse foi o sonho que me embalou: o filme do meu clone em ação.
Acordei com a corda toda, e ao olhar para o espelho entendi o que é superação.
O que descrevi acima é ficção, mas sei que se encaixa na rotina de muita gente. Por isso, quis lembra-lo de que os bons instrumentos de auto-ajuda podem ser úteis para despertar o seu eu mais positivo, determinado e vencedor. Ativando suas reservas de energia, a memória das vitórias e do muito que já aprendeu, realizou e superou. E, estão sempre disponíveis para ser resgatados, pois fazem parte de você.
Data de Publicação: 30/04/2002
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