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Já tem Conteúdo na minha caixinha!
Roberto Vieira Ribeiro

O que é ou não é conteúdo, tem absorvido a atenção de muitos por estes dias. Eu também investi um bom tempo refletindo a esse respeito e, resolvi compartilhar o que penso, através deste artigo.

Consultei um dicionário que define conteúdo, como “contido em alguma coisa. Assunto, tema, dizeres de carta, livro, etc...”

Mas, em minha opinião, trata-se de uma expressão cujo sentido é mais profundo e amplo.

Para mim, conteúdo é o filé mignon, o recheio do bolo, a cobertura do sorvete.

No basquete é a cesta, no futebol é o gol.

É a essência, a substância, a parte principal.

Nem sempre poderemos vê-lo ou tocá-lo, mas tão somente senti-lo, sem que perca impacto ou importância. Pois, o que define relevância às vezes tem a ver com a circunstância, necessidade ou desejo.

Em um restaurante por exemplo - qual é o conteúdo?

É a comida, uai!, diriam meus conterrâneos.

Será mesmo? Ou, há ocasiões em que o que sai dela, tem o papel capital?

O que eu quero dizer é o seguinte.

Quando a pessoa está numa churrascaria, a espera que vague a sua mesa, o aroma da comida é o prato principal.

Mas, logo que começam a servi-la a atenção do vivente vai do faro pra aparência e, depois para o sabor. E fica nesse vai e vem até ele se fartar, ou quem sabe, enfartar.

E, isto é apenas uma fotografia daqueles instantes que mencionei. Porque, antes, o cliente levou em conta outros aspectos para escolher onde faria a refeição.

Terá sido a localização, o nome, a aparência, referências, propaganda, atendimento, preço ou um toque interior?

Ou quem sabe, simplesmente, a chaminé transportou, da churrasqueira o aroma, conteúdo de valor. Para alguém que ali passava e, com fome ainda não estava, mas foi fisgado e entrou.

O fato é que o conteúdo é assunto de importância, seja ele virtual ou real.

Nas empresas de internet ocupa a diretoria, isto quando não é ele, a própria mercadoria.

Para quem procura emprego o conteúdo do currículo considerado normal, está mais para utopia, tal a exigência que fazem a qualquer profissional.

Mal percebem os especialistas, que títulos e habilidades, nem sempre refletem o conteúdo real: valores morais, lealdade e ética são de difícil registro, mas invariavelmente, fazem parte do que é essencial.

Afinal, nós somos dotados de inteligência, sentimentos e livre arbítrio. Conteúdo ímpar na natureza.

O brasileiro em especial é um sonhador, com coragem para trabalhar e construir seus resultados. O que explica o número crescente de empresas abertas, ano após ano, reais e virtuais, com ou sem crise. E, a energia que alimenta os negócios informais.

Essa mesma Gente que se inflama quando descobre que o painel do Congresso foi violado. Que mandou pra casa o caçador de marajás, prende Lalaus, e dia a dia amadurece sua cidadania.

Outro ponto que acredito ser de grande importância é a forma de agir, seja do adulto ou da criança.

Um ótimo exemplo ocorreu tempos atrás, quando eu acompanhava o trabalho de um vendedor e, nos abrigamos da chuva num local próximo.

Dali a pouco chegou a mil por hora um menininho, com seus nove ou dez anos, carregando uma caixa de picolés.

Como ele sacudia o isopor de um lado para o outro, e eu simpatizei com o jeitinho dele, puxei conversa – “assim não vai sobrar nenhum picolé pra você vender!”

O garotinho argumentou mostrando o interior da caixa – “é que não tem nenhum picolé aqui.”

– “Mas você não quer vender?” Perguntei.

– “Sim, mas com essa chuva ninguém vai querer comprar”, respondeu ele.

Talvez por força do hábito, falei: - “que pena! Se você tivesse picolés, agora já teria vendido dois”.

A chuva passou e seguimos trabalhando.

Lá pelas tantas, vem ao nosso encontro o amiguinho, abre um lindo sorriso e diz – “ainda bem que consegui encontrar o senhor. Agora já tem picolés na minha caixinha!”

E, fez ótimos negócios porque atitude também é conteúdo.

Data de Publicação: 18/05/2001


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