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Valorização profissional, globalização e seus efeitos
Rogerio Bravim

Valorização profissional, reconhecimento, carreira, promoção e sucesso são os desejos da maior parte das pessoas neste mundo globalizado dos negócios. Neste mercado de trabalho competitivo as exigências e os requisitos tem sido cada vez maiores.

O capitalismo através do movimento de globalização tem criado artificialmente necessidades, sejam elas de consumo ou de sucesso profissional. Há uma grande pressão sobre todos nós e tudo parece ser uma grande corrida louca e desvairada na busca do sucesso.

Com todo este stress, é lamentável dizer que observamos alguns efeitos colaterais, ou seja, as pessoas estão perdendo seus objetivos; há planos de colocações ou recolocações de profissionais realizada de forma apressada e equivocada; temos consultorias de recursos humanos que sordidamente exploraram os poucos recursos financeiros das pessoas aproveitando-se do momento de carência e de baixa estima que vivem.

Também é possível notar um desvirtuamento de valores profissionais, isto é, pouco reconhecimento, excessivo preparo para determinadas tarefas, subutilização ou não aproveitamento da capacidade profissional e migração forçada de pessoal operacional para postos táticos gerenciais.

Precisamos estar atentos a estes efeitos colaterais com intuito de minizá-los e todos podem contribuir. Seja você empresário ou trabalhador, o primeiro passo é começar a entender o que está acontecendo.

Nota-se que o maior preparo acadêmico tem criado uma expectativa maior do que a realidade pode prover e isto gera frustração. Certamente isto ocorre pelo excesso de preparação, isto é, o incremento acadêmico ou a reciclagem ser subutilizada ou não aproveitada na função profissional. Novamente isto é fruto da pressão do mundo globalizado, que através da competição, pressiona a todos na busca de diferenciais que na prática só servem ao requisito da seleção, uma vez que estes diferenciais pouco ou nunca serão aproveitados. Com isto, cria-se uma legião de pessoas insatisfeitas e desmotivadas.

Então, o grande problema é que os requisitos para determinada atividade são superestimados para realizar uma tarefa. Sem querer desmerecer, na prática é o mesmo que dizer que um faxineiro precisa falar inglês para varrer o chão.

Hoje, na busca da valorização profissional, o cenário mostra uma migração forçada de pessoal técnico qualificado (importantes postos operacionais) para postos de gerência e esta situação cria dois problemas, ou seja, primeiro gera carência técnica e segundo coloca gente com perfil inadequado na gestão.

Como é no dito popular, equivale o mesmo dizer "que tem muito cacique pra pouco índio". Ser índio não é demérito algum, todos têm seu papel importante no sistema. Entretanto, artificialmente criou-se a falsa sensação que o sucesso profissional está ligado em tornar-se cacique. Então, o que vemos é gente técnica ocupando postos de gestão e o resultado disto é o mal ou não cumprimento do papel de gestor e além disto, começa a faltar gente tecnicamente competente e ao mesmo tempo, os poucos técnicos que restam não conseguem realizar com liberdade suas respectivas tarefas, por interferência excessiva da gerência que tem o mesmo perfil técnico. Claro que o gerente precisa conhecer tecnicamente sua área para fazer um boa gestão, mas espera-se que dada à promoção, este profissional encare seu novo papel e deixe os assuntos operacionais nas mãos de seus técnicos subordinados.

Sem dúvida, a migração forçada deve-se a pressão ideológica do desenvolvimento de carreira profissional, ou seja, na busca do reconhecimento, da valorização do profissional ou da busca de promoção. Tudo sob a suposta esperança que o sucesso está ligado à subida a cargos de gestão. Culpa disto é o descaso de como são tratados os profissionais técnicos, a falta de valorização profissional, a falta de reconhecimento à baixa remuneração e a falta de respeito.

Para aqueles que querem ascender a postos de gestão, digo que se preparem para aprenderem um novo papel e assumam as responsabilidades deste novo desafio. No mais é preciso valorizar o pessoal operacional para que continuem sendo felizes fazendo o que gostam, se assim desejam. Também é preciso colocar gente com o perfil correto nos postos de gestão. Se cada perfil adequado estiver exercendo sua posição correta dentro da organização, a boa estratégia administrativa obterá o melhor de cada uma das pessoas.

Somente deste modo, a valorização e o sucesso virá para todos que fizerem parte deste time.

Data de Publicação: 06/01/2003


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