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Rightsizing na Internet
Rogerio Bravim
Passado o momento da euforia, a internet agora já encara sua dura realidade. Isto quer dizer que toda aquela corrida do ouro terminou da mesma forma que a história americana registrou, quando muita gente correu em busca do Eldorado e quem de fato ganhou dinheiro foram os especuladores, inclua nesta categoria os que lucraram na Nasdaq, aqueles que vendiam picaretas e construíam estradas de ferro (entenda como as empresas de hardware, infra-estrutura e telecomunicações) e claro que também aqueles que capitalizaram às custas do entretenimento, com destaque especial para o tema sexo.
Neste momento, boa parte das empresas “ponto-com” no mundo todo, estão demitindo alguém, cortando custos e repensando seu modelo de negócio. Claro que este comportamento trata-se de uma repetição daquilo que já aconteceu no chamado mundo dos negócios tradicional (off-line). No recente século passado falava-se em “rightsizing” cujo maior pressuposto seria colocar a empresa no tamanho certo da sua necessidade e de seu modelo de negócio, sem desperdiçar recursos. Pois é, exatamente o que está acontecendo neste momento com a Internet; sem medo de errar, diria que estamos passando por um ajuste nas expectativas, no modelo de negócio e nos investimentos relacionados a este mundo “on-line”.
Temos ouvido dizer que as grandes empresas tradicionais agora estão entrando no mercado de Internet para profissionalizar, dar respeito e consolidar o meio. No entanto, apesar de isto ser verdade, não podemos descartar os jovens talentosos empreendedores que se arriscaram na vanguarda da tecnologia e que conseguiram obter seu espaço. Porém, resta apenas saber se eles prosseguirão nos seus investimentos ou se resolverão aproveitar-se de sua liquidez e sucumbir-se a uma boa oferta para então lucrar. Se é certo ou errado, não cabe a nós julgarmos. Entretanto, gostaria que os “players” do mercado fossem um composto entre os tradicionais e os inovadores.
Quanto às empresas “ponto-com” que estão fechando as portas, isto reflete a seleção natural, pois somente haverá espaço para aqueles que forem realmente competentes na sua administração sendo que este fenômeno não é muito diferente do acontece com as empresas “off-line” que são abertas todos os anos e cuja maioria não sobrevive para o seu primeiro aniversário. Ouço muitas vezes as pessoas que opinam sobre “e-business” dizerem que o modelo de negócio e gestão precisa ser diferente daquele tradicionalmente conhecido, mas sugiro que preste muita atenção neste suposto dogma, de que o fato da internet ser algo novo não torna obsoleto o modelo de gestão de um negócio tradicional. Na realidade são apenas duas diferenças relevantes, sendo que a primeira exige uma agilidade muito maior do que a praticada tradicionalmente e a segunda exige uma pesquisa idônea para conhecer o comportamento do consumidor na Internet, o qual difere do comportamento estudado tradicionalmente. No mais, a grande maioria dos processos de gestão de uma empresa permanece o mesmo – a grande verdade é que as pessoas têm uma idéia e não pesquisam e nem planejam corretamente a empreitada, por isso a maioria fracassa – creio que seguir um “feeling” não é descartável, mas o correto é utilizar a ciência para dar suporte e solidez na condução das idéias. Se fizer isto corretamente, as chances de sobrevivência e de sucesso de seu negócio serão grandes em qualquer modalidade, seja “on-line” ou “off-line”.
Toda esta abordagem serve para ressuscitar conceitos aprendidos em administração que continuam a surtir efeitos. Não sou contra as inovações e até me seduzo muito facilmente por elas. Mas, o momento vivido pela Internet mostra alguns movimentos de “downsizing”. Creio, entretanto, que o que está acontecendo na maioria dos casos pode ser “rotulado” de “rightsizing”; o efeito disso gera temores parecido com o causado pelo “downsizing” e pelo conceito de reengenharia. Todavia, não há motivos de preocupação quanto a economia, pois as pessoas que estão sendo dispensadas, não estão ficando desempregadas, isto porque a carência é ainda muito grande de profissionais com experiência no ramo e até mesmo as empresas tradicionais estão absorvendo boa parte destas pessoas.
Mas aí vem a pergunta, que embora pareça simplória, de fato interessa a todos nós: Este momento de ajuste pelo qual passa a Internet, é bom ou é ruim? A resposta, na verdade só o tempo dirá, mas posso dizer sem medo de errar, que a história sempre se repete e, portanto, se você quiser estar um passo a frente, veja o que aconteceu com fatos semelhantes e poderá tirar suas próprias conclusões.
Data de Publicação: 16/03/2001
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