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Ano 2017
Rogerio Bravim
Hoje começa a primavera de 2017, há quase duas décadas o mundo assistiu ao vivo um evento que marcou o verdadeiro início de um novo milênio. Lembro-me ainda como se fosse ontem, fiquei estarrecido diante do que vi, pois então a superpotência mundial dominante, sofreu uma onda de ataques terroristas de proporção catastrófica, sim um duro golpe desferido contra o povo e seus monumentos: o mais nobre símbolo do poder político-militar perdeu um de seus lados, desfigurando sua forma geométrica e também os dois mais importantes símbolos fálicos do capitalismo que eram o orgulho do poder econômico explodiu para em seguida implodir diante dos olhos atônitos da humanidade.
Rapidamente a paisagem da grande cidade ficou manchada de vermelho e cinza. Todos passaram por um momento de perda da noção do tempo e do espaço, mas tudo era real e pela primeira vez bilhões de testemunhas sentiram a dor na mesma hora.
Sem dúvida, este foi o momento em que sentiu-se o primeiro grande efeito colateral da globalização do ponto de vista emocional.
Sob a forte influência cultural de sua mãe, as nações filhas, legítimas ou não, também sentiram-se feridas. Este marcante evento mudou pela primeira vez na história as relação do poder e seus sócios. Isso realmente fora um evento imprevisível, pois a história da vida privada dos três poderes sempre sustentou um diálogo cordial que manteve cada um de seus sócios satisfeitos com seus respectivos interesses. Tratava-se de uma aliança de ganho mútuo que permeou desde o início do mundo.
Para os mais jovens que não haviam nascido nesta época, faço um breve relato: naquele ano de 2001 o mundo corria incansavelmente na busca da conquista comercial, em termos de guerra e paz talvez estivéssemos vivendo nosso melhor momento, pois a guerra fria havia acabado há mais ou menos 10 anos e o então temido, holocausto nuclear, tinha sido até mesmo esquecido pelas pessoas. De um modo geral os anseios estavam voltados para o sucesso e o crescimento econômico. Neste tempo experimentamos alguns momentos de insensatez, como foi a corrida enlouquecida dos investimentos em internet, aliás este termo está em desuso.
Entre outras coisas, vale a pena salientar o papel da União das Nações pois desde sua criação sempre esteve alinhada com a superpotência mundial porém, neste mesmo ano a União das Nações mostrou seu maior desalinhamento político em relação ao seu fundador. Ainda hoje discute-se se este não tenha sido de fato o estopim para as mudanças que se seguiram.
No entanto, o mundo capitalista e seu imperialismo econômico, chamado de globalização, ao contrário do que especulavam, tornou-se ainda mais forte e subitamente comprou as cotas de um dos poderes, pois este havia falido. Sim como hoje nós sabemos, o poder político e o poder econômico ampliou muito suas fronteiras e com isso a ciência voltou a produzir conhecimento mais do que em qualquer época e o capitalismo transformou-a em tecnologia tal qual como nunca imaginada.
Engraçado, agora mesmo lembrei-me que o réquiem de Mozart foi escrito em seu leito de morte, fico imaginando sua dificuldade de criar e passar para um rústico meio de escrita; veja que contraste inimaginável vivemos, pois embora eu também já tenha escrito a mão em papel, datilografando em antigas máquinas de escrever, digitando em computadores ou mesmo ditando para o reconhecimento de voz, hoje tenho o privilégio de viver para apenas mentalizar e com apenas um piscar de olhos transformar tudo isso em escrita. Quanto tempo gastei para escrever isso ? alguns segundos.
Certamente esta é a verdadeira ampliação do conceito de Descartes, que tenho a ousadia de elevar para "Penso Logo Existe".
Louvado seja Deus por nos permitir ter nossos próprios pensamentos e devaneios.
<<< Atenção: Este é um texto de ficção e deve ser usado apenas para fins de entretenimento. >>>
Data de Publicação: 14/09/2001
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