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WideBiz

Um incidente histórico na Widebiz
Luiz Carlos pires

Prezados colaboradores,

A WideBiz é um espaço que vai além de uma coluna para exposições de
matérias, é um canal de relacionamentos, um canal de negócios. Nós, da
Widesoft, estamos cientes da responsabilidade em manter um nível
elevado de colaboradores e de temas, que interessam aos vários internautas
que nos acessam diariamente.

Ao iniciarmos as reformulações da WideBiz, realizamos algumas ações ,
entre elas, retiramos do site as matérias mais antigas e os colaboradores que
não contribuiam há mais de um ano com seus conhecimentos.
Vale lembrar que não apagamos, apenas retiramos o acesso para darmos
espaço a matérias mais atuais e oportunidade à novos colaboradores.

O Sr. Luiz Carlos Pires nos alertou para algumas matérias de grande
importância que deveriam permanecer disponíveis para consulta,
aceitamos e agradecemos as suas sugestões.

Atitudes como a do Sr. Luiz Carlos, demonstram o espírito de colaboração e
integração que a WideBiz deseja e necessita para poder realizar com
muita responsabilidade a sua missão..

Estaremos sempre abertos à sugestões e informamos que as matérias mais
antigas estarão disponíveis em um link, que disponibilizaremos na WideBiz
em breve.

O maior objetivo das reformulações é permitir aos internautas terem acesso
a um diversificado universo de conhecimento e de profissionais de muita
competência. Aos profissionais colaboradores o maior objetivo é disponibilizar
um espaço onde tenham a oportunidade de expor as suas idéias e seus trabalhos.


Renato José Sozzi
Widesoft Sistemas Ltda


Um incidente histórico na Widebiz


O pior não é deixar de contar a história pela ótica dos vencidos e sim
deixar de contar qualquer história. Não é o caso da Widebiz, uma
empresa vencedora que impediu em tempo que se apagasse a sua própria
história num incidente logo corrigido e que nos deixa alguns pontos para
reflexão.

Na reformulação necessária a qualquer empresa, a Widebiz retirou
do ar artigos de antigos colaboradores que como eu, reconheço, não estavam
mais contribuindo com suas idéias. Este incidente me fez refletir sobre
algumas questões que poderão influenciar no desempenho de empresas
atuantes no mundo digital e de mim mesmo como colaborador deste site que
também é uma importante tribuna de idéias.

Como guardar informações no momento aparentemente descartáveis e
que acumulam espaço físico em bites? De que maneiras devem atuar os
novos historiadores da era cibernética? Como nossos descendentes terão
acesso às informações geradas neste momento? Qual a melhor maneira de
guardá-las?

Num dos artigos que escrevi anteriormente comentei o fato de que muitas das
informações recolhidas e gravadas em cds, na década de 80, pela Biblioteca
do Congresso dos EUA, foram perdidas, apesar de estarem bem preservadas
ou não puderam ser lidas pelos novos equipamentos.

As inscrições cuneiformes dos sumérios, feitas em pedras há 5 mil
anos e os papiros do Mar Morto, até dois mil anos, ainda são as melhores
formas de preservação de informações de nossa civilização, obedecendo, é
claro, alguns critérios de cuidados físicos e de acesso gráfico. Daqui a 5 mil
anos, por exemplo, o inglês poderá necessitar de um especialista em língua
extinta para ser decifrado e terão de ser desenvolvidos equipamentos
sofisticados que possam acessar os dados guardados nos antiquados computadores
que utilizamos atualmente.

Ao retirar do ar os artigos, num primeiro momento, parecia que os
novos executivos da Widebiz colocaram em risco a história da empresa que
foi pioneira no teletrabalho, quando produziu uma entrevista com o filósofo
italiano Domenico de Masi, envolvendo justamente essa questão e que
foi desenvolvida por profissionais de três outros sites em dois países e que se
desdobrou numa matéria publicada no Caderno de Informática do Jornal do Brasil.

Mas os artigos retirados do ar não foram destruídos e, provavelmente, estavam
armazenados em cds ou no banco de memória de algum computador.
Felizmente o tempo não foi tão grande, o colaborador estava atento e os bites ainda
estavam preservados. A estratégia da empresa foi bem executada, obrigando os colaboradores
a entrarem em contato com a empresa para resgatar seus artigos e colocá-los de volta ao ar,
como ocorreu comigo, já que eles são citados em currículos, nos links de sites e nos sites
de busca em toda a rede. No entanto, será que houve algum colaborador mais tímido ou
mesmo desinformado do evento em questão?

A retirada e a volta dos artigos e a posterior reflexão do evento, também faz parte da história
da Widebiz, assim como a construção da Biblioteca Nacional brasileira e a procura de novas
formas de preservação de dados na Biblioteca do Congresso Americano e a reconstrução da
Biblioteca de Alexandria. Outra questão importante a ser discutida diz respeito ao conteúdo e
interpretação dessas informações, temporariamente retiradas e que poderiam ser reagrupadas
e atualizadas para servir de pesquisa histórica ou de casos específicos. Alguns desses casos,
no que pude observar durante esses anos na Widebiz são relatos tirados da experiência
profissional, de gente que descobriu as suas próprias soluções no mundo digital, entre erros
e acertos.

O fato foi prontamente reparado no meu caso, pois fui procurado por um executivo da empresa que
se mostrou entendedor do evento e prometeu levar a questão aos seus superiores com a minha
sugestão de que se faça uma análise histórica dos textos retirados. Dessa forma, a empresa poderá
até lucrar com o incidente, criando um soft, um moduns faber capaz de atender a outras empresas que
já atuam há algum tempo na rede e estão ainda com uma infinidade de questões em aberto, no caso da preservação de informações.Daí fica a sugestão para que se crie um box de pesquisa por assunto,
colocando um resumo do artigo no ar, caso o espaço do site não comporte tanta informação.

De minha parte coloco-me à disposição para a leitura e análise destes textos retirados e prometo
passar a contribuir com mais assiduidade com novos artigos.

Luiz Carlos Pires

lc.pires@globo.com

Data de Publicação: 18/08/2003


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