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Curso ou abraço de urso?
Carlos Nepomuceno

Victor Borge, comediante dinamarquês já falecido, contou num de seus shows que fizera um curso de japonês enquanto dormia. Perguntaram-lhe se conseguira mesmo aprender. Disse que falava fluentemente, mas só em seus sonhos.

A piada se aplica à nova geração de internautas que fizeram, fazem, pretendem ou querem saber se o tal treinamento a distância é realmente eficaz.

Vários fatores apontam para o crescimento dessa modalidade de ensino como um complemento para a nossa formação e de nossos filhos.

Somem vocês as vantagens: engarrafamentos, horários malucos, falta de tempo, professores interessantes em outras cidades ou países...Enfim, praticidade.

Participei do seminário virtual "Educação online: a perspectiva do aluno", promovido pela Aquifolium Educacional.

Veja em: www.aquifolium.com.br/educacional

O evento virtual gratuito durou sete dias e reuniu o impressionante número de mais de 1.500 participantes. Cinco ex-alunos de cursos online narraram as boas, as más experiências e esclareceram questões ao longo das 90 mensagens trocadas no decorrer dos trabalhos.

A grande preocupação do auditório foi tentar definir quando um e-curso é realmente bom ou beira à picaretagem. Fiz por minha conta e risco um resumo do que deve ser perguntado antes de uma futura e-matrícula:

Haverá professores para tirar as dúvidas? Qual será a dedicação dos mesmos? Entram todos os dias? De quantas em quantas horas? Quantos alunos haverá por turma? Existirá uma preparação para que os inscritos possam se ambientar nas ferramentas antes das aulas começarem?

E ainda: quanto tempo o aluno terá que se dedicar em casa? Serão propostos trabalhos em grupo? Qual a experiência do(s) instrutor(es) no assunto abordado? Qual o currículo da instituição promotora? Quantas vezes já foi ministrado? Existe algum trabalho final? Dão certificados?

Na verdade, o que se conclui é de que temos que mudar a nossa cabeça para estudar a distância. O coordenador do seminário, Wilson Azevedo, aborda esse novo paradigma no artigo "Muito além do jardim de infância", indicado durante as conversas.

O texto completo está em: www.aquifolium.com.br/educacional/artigos/muitoalem.html

"Pode estar num passado muito distante de nossas carreiras escolares a lembrança do momento em que vimos um quadro de giz pela primeira vez. Em um determinado período deste passado, todo um trabalho foi desenvolvido no sentido de nos preparar para um ambiente educacional - a sala de aulas presencial - no qual aprendemos a nos posicionar, a nos comportar, a agir e a reagir".

E acrescenta:

"Hoje, muito além do jardim de infância, somos colocados diante do desafio de fazer um trabalho semelhante, preparando alunos e professores para os novos ambientes criados pela aplicação das novas tecnologias à educação".

Eu complemento: vamos ter que nos preparar para sermos bons alunos virtuais em algum momento de nossas vidas, mas existe ainda muita fumaça por detrás desse fogo.

Nesse momento, é fundamental saber aonde vamos amarrar o nosso mouse e distinguir claramente a diferença de um verdadeiro e-curso para um enganoso abraço de urso.

Data de Publicação: 08/04/2002


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