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Esbarrando no querer do outro
Melânia Alice Costa
Uma amiga perdeu o pai na madrugada de sábado. Veio me ver hoje pela manhã e trouxe uma porção de perguntas. Faz parte do processo de perda, eu sei. É a inquietação e não aceitação que dá início ao luto, também sei.
Não há palavra de consolo. Os últimos anos de vida do pai, um médico, inteligente, respeitado, com mais de 70 anos, eu acho, foram em meio a circunstâncias domésticas absolutamente inexplicáveis e inaceitáveis. Os filhos, todos com mais de 50, nada puderam fazer. Minha amiga, em especial, por mais inconformada, presente e desafiadora que tenha sido em suas peregrinações foi barrada e contestada insistentemente.
A única coisa que eu consegui dizer-lhe hoje pela manhã foi que o pai dela fez escolhas. Que ele tinha o direito de fazê-las e razões para isso, por mais absurdas que parecessem. Que ele merecia respeito ao seu espaço e às suas decisões.
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Nada podemos fazer, nem Deus pode fazer, quando esbarramos no inarredável e irremovível querer do outro, por mais irracional que isso soe aos nossos ouvidos. Melânia Costa inflexibililidade - mudança - resistência à mudança - insensatez - querer - impedimentos emocionais - escolhas insensatas - luto - perda - aprendizado
Data de Publicação: 17/05/2006
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