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Mario Persona é entrevistado pela Revista Internet e Negócios, do Grupo Estado de Minas, em Abril de 2000
Mario Persona
IN: Mário, você tem escrito muitos artigos para publicações especializadas. Quais os assuntos mais falados?
MP: Negócios em geral, usando a rede. Mas, escrevo para qualquer pessoa entender. Encontro senhoras que lêem meus artigos. Nem usam a Internet, mas acabam gostando do assunto. Acho que a forma de escrever ajuda.
IN: Fale sobre o evento eProfissional 2000, 2º Encontro Nacional da Promit.
MP: Participo do evento da Promit no dia 6 de maio. Vou falar da Empresa no Século 21. Acho que deve interessar o pessoal.
IN: Ainda é amplamente discutida a questão da privacidade empresarial, principalmente, no uso da Internet. qual a melhor forma de proteger a rede empresarial sem invadir a privacidade dos funcionários?
MP: As empresas devem entender que Internet, e-mail, etc. será como telefone. Todo o mundo precisa ter acesso, senão não vai sair negócio. Quem abusa são os que a seleção natural vai cuidar de varrer para fora. Você jogava jogos de computador quando comprou primeiro? E agora, com que freqüência? As coisas se acomodam naturalmente.
IN: Você trabalha em quais plataformas?
MP: Eu não programo. Aliás, não sou da área de sistemas ou de informática. Tá aí mais uma dica sobre Internet. Sou arquiteto. Não é preciso entender de computação para ser um profissional da Web. Não deve confundir informática com Internet.
IN: Os servidores gratuitos estão realizando o trabalho de democratização da Internet? Como levar a Internet para a massa brasileira?
MP: Vem aí o orelhão de Internet. mais rápido que o orelhão de telefone, porque dá dinheiro. É veículo de propaganda. Você paga para usar outdoor? Internet vai servir de outdoor. Elevador, banheiro, ônibus, avião (já tem), tudo ficará conectado. O frigobar de seu hotel, quem sabe sua gravata? Porque alguém vai querer explorar essa janela para vender alguma coisa. Tá aí uma idéia: Internet na gravata!
IN: Você acha que o comércio eletrônico vai "pegar" no Brasil? As empresas do século 21 estarão no e-commerce?
MP: Sim, o e-commerce já está pegando. Só não tem mais porque ainda não existe uma cultura de rede. Mas é a geração Y que vai cuidar disso. Um dos diretores levou o Pocket PC para casa para mostrar ao filho, depois de passar horas mergulhado no manual. O garoto tem menos de 10 anos e em minutos já estava dominado tudo. Essa "turminha" nasceu com Internet, não há mistérios para eles.
IN: Quais os principais fatores de sucesso para uma empresa voltada para o e-business?
MP: Primeiro, creio que é ter capital. Porque ninguém vai conseguir montar uma boa estrutura de negócios sem capital. Senão não decolam. Mas isto não é para desanimar ninguém. É para evitar que o pessoal saia por ai chutando o balde porque criou um site bonitinho. Segundo, acho que não pode faltar a idéia. O que nos leva à questão da criatividade. E contratar crianças. Não estou sugerindo alguma transgressão da lei, mas que se acompanhe o raciocínio da geração mais nova. Eles têm uma forma diferente de pensar.
IN: Você considera que se tem ganhado dinheiro com a Internet?
MP: Há duas coisas. Uma é o movimento de compra e venda de empresas virtuais. AÍ a coisa acontece muito na base de negócios com ações. Como na história do menino que trocou seu cachorro de US$ 1 milhão por dois gatos valendo R$ 500 mil cada. Há também as estrelas do momento, que acharam uma pepita. Mas, no geral, estamos em uma fase de investimentos. Ninguém pode pensar que vai fazer fortuna sem investir. Pode ser que se crie uma home com pouco dinheiro e tenha uma grande idéia. Mas são poucos. Ganha mesmo quem investir em sistemas para Web. Fabricantes de ferramentas já ganhavam antes, vão ganhar mais.
IN: O que vai dar mais lucro na Internet, o business-to-business ou o business-to-consumer?
MP: Business-to-business vai movimentar mais dinheiro. É preciso entender que nem todas as estatísticas são claras. Quando se diz que o B2B vai movimentar um bilhão, se refere ao volume de compra e vendas. É incorreto afirmar que quem fornece o serviço Web estará ganhando isso. Obviamente, o volume de compras entre fábricas é muito maior e já existia antes da Web por redes privadas usando Electronic Data Interchange (EDI).
IN: Você acredita que o comércio virtual vá interferir no comércio convencional?
MP: Já está interferindo. Você vê no convencional e vai comprar no virtual. E vice-versa. Mas um não vai acabar com o outro. Ao comprar no supermercado, sua informação está voando via Internet para os fornecedores. Sua compra tem algo de virtual até no convencional.
IN: Como cultural?
MP: Nossa geração não sabe usar. A filha de um amigo, com 9 anos, não sabia usar um telefone de disco!
IN: Você acredita no sucesso dos portais verticais?
MP: Os portais irão cada vez mais cuidar de nichos ou morrer. Exceto alguns que são portais de provedores, porque todo mundo acaba passando por ali até descobrir que pode mudar sua página de entrada no browser. O que vemos hoje não é o que vamos ver daqui a algum tempo. Porque as pessoas estarão mais informadas, usarão a Internet de forma diferente. Daí não poder parar para descansar na glória do que já conseguiu.
IN: Como utilizar o cartão de crédito na Web de maneira segura, como identificar sites confiáveis na Web?
MP: A segurança na rede é a mesma fora dela. Ou maior. Nunca ninguém foi morto na Web! Os cuidados com o cartão dependem de quem está na outra ponta. A loja é confiável? O site tem criptografia (fechou o cadeado)? Quando me perguntam se comprar na Internet é seguro, pergunto se andar de carro é seguro. É relativo, mas não deixo de andar de carro.
IN: Qual o futuro das profissões?
MP: Algumas profissões vão precisar se adaptar para não desaparecer. Depende da criatividade. Usar o conhecimento adquirido no convencional e criar algo no virtual. Não foi de repente que pessoas que hoje são profissionais Web criaram tudo. Trazem bagagem de outras áreas. O mesmo se dá no comércio.
IN: Vai ter mercado para todos?
MP: Sim. Veja que agora estamos começando a falar em mobilidade do profissional. Mas tem muita gente pensando em site, portal e coisas do tipo. É preciso entender que onde a coisa vai acontecer é em sistemas como a rede interna, com um monte de dinheiro investindo em hardware e software nas empresas. Passaremos a comprar isso na forma de serviço. Vai ter mercado e vão ser criadas novas coisas.
IN: Qual a dica para os novos profissionais que estão ingressando no mercado de Internet?
MP: Primeiro é buscar ter criatividade. Parar de copiar. Outra dica é ler, ler, ler sempre.
IN: Qual a idade média aí na Widesoft?
MP: Sou o mais velho. (Mário Persona tem 45 anos). A maioria é de recém-formados, mas há também mestres. Somos uns 43 colaboradores.
IN: Como fica o marketing na rede? Quais as diferenças existentes?
MP: O marketing ficou mais interessante na rede, já que cada pessoa virou seu próprio veículo. A rede permite relacionamentos que geram negócios e visibilidade. Uso muito isto. Por isso hoje tenho artigos em mais de 60 sites, jornais e revistas. A lista Widebiz virou ponto de encontro de empresários e berço de negócios para muita gente (Mario Persona é moderador da lista de debates Widebiz).
IN: Mário, você acredita na força do banner na publicidade on line?
MP: O banner vai ficando invisível na mente de quem navega. Porque ele vai estar interessado na navegação e cada vez menos irá olhar para o contorno. Há muitas outras formas de publicidade. E-mail é mais poderoso que banner (não estou falando de spam). Propaganda em newsletter funciona mais. Mas, o melhor mesmo é eu convencer você a contar para todos os seus amigos que algo é bom.
IN: Você também é um internauta. Como tal, já comprou via Internet?
MP: Sempre compro livros. Pago minhas contas todas pela Internet. Não vou quase ao banco. Meus filhos também compram livros pela Internet. E acham mais normal que eu. É a questão da cabeça para a vida virtual.
IN: Quais sites você costuma visitar?
MP: Primeiro os de notícias. Todos os dias. Depois o que surgir em links que recebo. Geralmente, sites de negócios. É engraçado, mas navego pouco, no sentido de ficar passeando pela Internet. Geralmente, vou com um destino definido. Acho que o que uso mesmo são os sites de busca. Até para dúvidas de português. Escrevo a frase e vejo se alguém já escreveu daquele jeito para tirar a dúvida.
IN: Quantas horas por dia você fica conectado a rede?
MP: Praticamente o dia todo. Hoje estava conectado às 4h 30min da manhã. Chego em casa e vou cuidar de meu site pessoal, em www.stories.org.br, que foi minha escola de Internet (desde 1996).
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