Enviar artigo | Faça seu comentário
WideBiz

Marketrix
Mario Persona

É preto e branco o filme "O Mágico de Oz" de 1939. Mas só no início. Ao
chegar à Terra de Oz, o filme e o mundo de Dorothy ficam coloridos e ela
viaja numa companhia incomum: um Espantalho sem cérebro, um Homem de Lata
sem coração e um Leão sem coragem. Absurdo? Ela nem parece ligar, pois segue
cantando:

"Somewhere, over the rainbow, way up high,
There is a land that I heard of once in a lullaby"
("Em algum lugar acima do arco-íris, bem acima,
Há uma terra da qual ouvi falar, numa canção de ninar").

Onde estaria esse lugar? Roy Williams, codinome "The Wizard of Ads"
(alguma semelhança com "The Wizard of Oz"?), escreveu: "Emoção e intelecto
são os dois lados de uma mesma moeda. Conquiste o coração e a mente virá
junto. As pessoas só podem ir a lugares onde já estiveram em pensamento. O
segredo da persuasão humana é fazer com que as pessoas se imaginem fazendo o
que desejam fazer".

Segure isso em um cantinho de sua mente enquanto viajamos até a Alemanha
para visitar o Instituto Fraunhoffer, criador da lipoaspiração de músicas, o
popular formato MP3. Trata-se de um processo de compactação de arquivos que
elimina os sons que ficam fora da faixa do espectro de onda captada pelo
ouvido humano.

Para fazer uma orquestra sinfônica caber em um cavaquinho, é usada também
a mesma política discriminatória de nosso cérebro, que acolhe uma nota e
descarta outra que chegar junto e for parecida. Depois tudo é espremido
ainda mais, para eliminar redundâncias, usando a compactação de Huffman.

Resumindo, apenas Totó, o cãozinho de Dorothy, seria capaz de lhe dizer
que a música no formato MP3 perde muito por tocar apenas sons entre os 20Hz
e 20kHz, ou menos, captados pelo ouvido humano. Totó ouve até 30kHz e o
morcego até 160kHz. Existe um mundo imenso de sons que você é incapaz de
ouvir com sua limitada audição.

Se isso não bastasse, do universo de fragrâncias que sensibilizam duzentos
milhões de células olfativas do focinho de Totó, só um cheirinho chega às
cinco milhões de células de seu nariz. Comparado ao cão, seu olfato não
cheira nem fede. E ainda nem falei de sua visão noturna do mundo, apenas um
sexto do que o seu gato vê. Quer que acenda a luz?

Qual delas? Seu olho só enxerga a faixa do espectro de radiação do
vermelho ao violeta. Somos cegos aos raios gama, raios X, ultravioletas e
infravermelhos, e surdos às microondas e sinais de rádio. E se essa faixa do
espectro já é demais para a cabeça, imagine a que é mencionada na Bíblia,
quando fala do Deus que "habita na luz inacessível, a Quem nenhum dos homens
viu nem pode ver"?

Percebeu que o mundo como você o conhece só existe dentro de sua mente,
construído pelas poucas informações que seus débeis sentidos conseguem
captar? É o mundo que você pode ver, ouvir, cheirar, tocar ou degustar. Mas
há mais, muito mais, pois vivemos imersos em ondas eletromagnéticas, não
muito diferentes das que estão cintilando em seu cérebro agora, esse caminho
dourado trilhado pelos sapatinhos da Dorothy de sua imaginação. É ela quem
faz você atravessar os montes, vales e florestas da terra que está além do
arco-íris.

É lá que as idéias brotam em volumes oceânicos, antes de serem compactadas
em regatos do tamanho de seus limitados sentidos. É também onde seus
clientes acalentam sonhos, qual canção de ninar, apenas esperando que alguém
os desperte para alguma contraparte nem tão colorida - porém satisfatória
quanto uma música em MP3 - no mundo real.

A campainha que desperta esses sonhos é a palavra. E os realiza também.
Antes de ligar para o produto que deseja oferecer, é preciso que você
telefone para a mente de seu cliente. É lá que realmente se materializam os
desejos. Só depois ele irá reconhecer o que está bem ali, na sua frente. Ele
não quer comprar um carro, mas a liberdade de ir e vir veloz. Ela não quer
comprar um vestido, mas ser linda e charmosa. E os filhos nem pensaram no
videogame de chips e plástico quando sonhavam com a conquista do universo.

Para quem você liga, com quem você fala? Para o cérebro de seu cliente ou
ao seu coração? Em qual dos mundos de Matrix você faz o seu marketing? No
cinzento confinamento lógico e racional de um submarino de esgoto ou na
colorida atmosfera da imaginação e da emoção? Lá é possível voar.

Tudo volta a ser preto e branco - no filme e na vida - quando Dorothy
retorna de sua viagem além do arco-íris. Quando ela cai na real, no
sensorial, mensurável e ponderável mundo racional.

Data de Publicação: 26/06/2003


Enviar artigo | Faça seu comentário