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Por que repensar a Tecnologia da Informação
George Leal Jamil

Examinando o meu novo livro, “Repensando a Tecnologia da Informação na Empresa Moderna”, alguns leitores têm me perguntado se há validade em refazer a análise de um segmento tão dinâmico e de aparente caos, como o da Tecnologia da Informação. A resposta que lhes tenho dado, claro, é sim!

Os fundamentos para se chegar à conclusão que motivou o desenvolvimento do livro são que a Tecnologia da Informação imprimiu e imprimirá mudanças na forma de trabalhar. Viver e relacionar-se em comunidade atingiu tamanha importância na vida das organizações que não se pode dispensar que seu gerenciamento seja feito com base no conhecimento.

O fenômeno da miniaturização de componentes, do barateamento e até mesmo de alguma vulgarização dos recursos de informática propiciou, nos últimos anos, que esta área fosse tratada como sendo um eterno apoio organizacional. Tornando-se hábito dizer que “se mais computadores são necessários, vamos comprá-los! É barato e só aumenta a produtividade”.

Fato simples e de enganosa conclusão, a difusão da informática trouxe à tona um mercado desregulamentado, dinâmico, globalizado em seu berço, difuso e de complexo acompanhamento. Conseqüências severas, como a desagregação da informação, proveniente da informatização sem planos e sem controle, onde sistemas de informações setoriais se sobrepõem e criam “áreas de sombras” entre suas funções, perdendo a eficácia que se buscava em seu projeto original, são de lamentável freqüência. Não raro, deparamo-nos com informações dúbias, duplicadas, imprecisas, que não permitem que o processo em que se inserem (por exemplo, uma tomada de decisão empresarial) seja concluído com êxito.

Diante desta aparente confusão, ainda devem ser somados o estrondoso sucesso da Internet comercial, ocorrida principalmente a partir de meados da década de 90 no Brasil, bem como a abertura de fronteiras comerciais entre países, constituindo-se na nova onda de “globalização”, com impactos que vivemos quotidianamente.

Esta confluência de fatores provocou crescimento inolvidável da tecnologia da informação em todos os ramos de negócios, demandando, de forma correspondente, a aceleração na oferta de postos de trabalho e a criação de oportunidades, que foram atacadas com o açodamento tão característico de nossa época. Assim, vimos o surgimento das empresas “ponto-com” com a proposta de seus modelos de negócios revolucionários, onde o Marketing, o Planejamento, a Administração Financeira sucumbiriam ao tráfego intenso de bits, numa ideologia que perdurou não mais que alguns poucos meses.

Contudo, de forma alguma podemos deixar de relevar a importância da Tecnologia da Informação nos dias atuais. Num pãozinho de sal comprado na padaria da esquina, na obtenção de uma segunda opinião médica para um diagnóstico, no entretenimento, na indústria, nos bancos e instituições financeiras, nos governos e em muitas outras áreas de ação que vivenciamos rotineiramente.

O fenômeno tecnológico está presente, portanto, e requer que cuidemos dos parques computacionais, das infra-estruturas, dos serviços Internet e de sua conexão às estratégias de negócios, na forma de condução e presença das ONGs de forma internacional, bem como em nosso posicionamento profissional – veja-se a introdução de cadeiras ligadas à Tecnologia da Informação nos cursos técnicos, de extensão e de formação básica e executiva em áreas como Administração de Empresas, Ciências Contábeis, Economia, Direito, além das de áreas de ciências exatas.

Foi isto que motivou que direcionássemos nosso texto para a reavaliação do uso da Tecnologia da Informação de forma efetiva em nosso dia-a-dia, permitindo que o livro fosse aplicado por quem deseja gerenciar a TI e com a TI. Gerenciar o parque tecnológico é necessário, pois a agilidade demandada nos investimentos feitos – desde a simples atualização do micro doméstico até a aquisição de nova infra-estrutura de telecomunicações para servir a uma organização multinacional – o conhecimento de conceitos básicos e avançados da área, o relacionamento com o “misterioso” universo tecnológico, tornou-se demanda básica em nossas vidas.

Administrar com a Tecnologia da Informação é necessário, por se constituir num conjunto de ferramentas e suporte que não podem deixar de ser usados nos dias atuais. A agilidade, a premência pelos baixos custos, a automação de processos e a flexibilidade dos negócios exigem respostas advindas de um dinamismo em que a TI é absolutamente indispensável.

No livro “Repensando a Tecnologia da Informação na Empresa Moderna” discutimos como agem as empresas no cenário moderno. Ainda convivendo com o tufão “Nasdaq” acredito que o segmento amadurecido (podemos dizer que assim está após atravessar o processo de depuração ocorrido com o “sobe-e-desce” dos últimos meses) das empresas baseadas na Internet venha a se apresentar como uma importante alternativa de negócios no atual cenário de empreendedorismo. A economia mundial necessita de novos sopros, na geração de novos perfis de negócios e segmentos agora estabilizados. Bom exemplo na área dos novos negócios “eletrônicos ou virtuais”, são os dos portais “Business to Business”, baseados na Internet, que por certo terão nos próximos anos uma representação garantida.

Ao invés de propormos a extinção de uma escola de pensamento para aplicação nestes novos negócios, como foi feito por alguns neste curto período de meteóricas ocorrências, convidamos o leitor a reavaliar (repensar) a administração com a aplicação da tecnologia, sob a luz de novas correntes que impactam sobremaneira as comunicações organizacionais e sua gestão, bem como as contribuições que as formas clássicas podem prover para o sucesso dos novos empreendimentos.

Os sistemas de informações gerenciais, base do pensamento e atuação empresarial, bem como a infra-estrutura tecnológica e de suporte, constituem nossa abordagem central, tomando mais da metade das 545 páginas que compõe a obra. Ali, mais uma vez, direcionamos nossa ótica de aplicação dos recursos tecnológicos para organizações de porte variado – indo desde os pequenos comércios até o ambiente das grandes indústrias – no sentido da praticidade e da gestão da TI no cenário competitivo.

Concluo a obra com os principais aspectos da empregabilidade nestes novos ambientes, considerando a formação do profissional tanto em área de projeto, desenho e implantação das novas soluções tecnológicas, chegando ao gestor de processos informacionais, o CIO, onde definimos o perfil deste profissional, que hoje desempenha suas tarefas no ambiente de extrema competitividade e demada por respostas ágeis. Ao final, uma extensa abordagem de casos, com base no estudo que empreendemos ao longo do livro, incluindo o “E-Business”, Ensino à Distância, “E-Commerce”, Sistemas de Gestão Integrada e demais segmentos presentes na atual difusão dos negócios baseados na tecnologia e nos serviços por ela prestados às organizações, também é apresentada.

Indispensável dizer que este é um livro brasileiro, escrito por brasileiro, para leitores brasileiros. Porquanto a tecnologia diminui ainda mais a sensação de distância, reconhecermos o mundo atual como integrado (globalizado), tornando ainda mais ágil a demanda pela comunicação e processos ligados às informações, é em nosso país que tratamos de formar nossos profissionais, com nossa estrutura de ensino e empresarial. Desta forma, a abordagem se faz quase que integralmente com a análise de casos aqui acontecidos ou que tenham domínio pelos nossos profissionais, bem como a terminologia técnica é esclarecida (a tradução de termos técnicos para o português é impraticável, na maior parte das vezes), tomando por base como nosso leitor irá aplicar o texto em suas atividades relativas à TI.

Desejamos a todos uma boa leitura e bom proveito do livro. Que a tecnologia promova suas vidas!

Data de Publicação: 06/03/2001


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