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WideBiz

Internet na Argentina
Israel Mor

Há cerca de oito anos a Argentina vem passando por graves dificuldades,
afetada pelas crises do México em 1995, dos Tigres Asiáticos em 1997, da
Rússia em 1998 e do Brasil em 1999 (desvalorização do Real). A paridade
entre o dólar e o peso ruiu e, neste período, oito presidentes passaram pelo
comando do país. Em meio ao caos político e aos constantes panelaços, a
internet argentina sobrevive e luta para continuar crescendo.

Como o início do desenvolvimento da Internet na América do Sul se deu por
volta de 1995, podemos imaginar que, como a crise da Argentina também
começou nesta época, o país deixou de lado o incentivo ao crescimento da
tecnologia para resolver seus problemas econômicos. Mas não foi isso o que
aconteceu. Mesmo passando por sérias dificuldades e por momentos em que o
dinheiro praticamente sumiu do país, a Argentina chegou hoje a um estágio
quase tão desenvolvido quanto ao que temos no Brasil. Grandes grupos de
investimento não deram muita bola para a crise e conseguiram se firmar no
país, mesmo em tempos tão adversos.

O banco de investimentos Goldman Sachs, por exemplo, entrou como sócio
minoritário do diário El Clarín em 1999, com um investimento de US$ 500
milhões. Atualmente, o jornal é um dos mais desenvolvidos digitalmente no
mundo. Outro bom exemplo é o Ciudad Internet, que teve uma experiência
fracassada no Brasil. Ele se transformou em um dos maiores portais e
provedores de acesso da Argentina e também pertence ao grupo do El Clarín.

Como muitos negócios foram cancelados ou postergados, o número de empresas
que realizaram projetos na rede foi muito menor do que no Brasil. Apesar
disto, os argentinos tiveram um bom desenvolvimento da Internet de uso
empresarial. Por exemplo, já existem empresas brasileiras com filiais na
Argentina utilizando voz sobre IP para realizar chamadas telefônicas entre
os dois países.

Neste momento, nosso vizinho passa por uma etapa crucial do
desenvolvimento de sua rede. Depois de um 2002 dramático, com crescimento de
apenas 5% do mercado de acesso à Internet, contra os mais de 30% do Brasil,
o país espera, segundo uma pesquisa recente da Carrier y Asociados, um
aumento de 27% para 2003. Hoje, como que provando que a web não parou no
tempo e na crise, 46% dos argentinos utilizam acesso gratuito, enquanto 27%
têm acesso por banda larga. Já o número de acessos pagos (discados) vem
caindo e hoje representa apenas 13% do total de acessos. Isso mostra que a
infra-estrutura de rede também está melhorando, como aqui.

É muito importante para o Brasil ver que seu parceiro econômico e de
Mercosul não esqueceu do mundo virtual. Este é mais um meio de estreitarmos
nossas relações e criar, deste modo, um "mercado comum digital". Vamos
torcer para que nossos vizinhos superem a crise, o que só trará bons
negócios para o mundo pontocom brasileiro. Rivalidades à parte, buena suerte
hermanos!

Data de Publicação: 20/01/2004


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