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Previsões Pontocom
Eduardo Wyllie
Fim do ano 2000. O índice NASDAQ sobe e desce de forma imprevisível. Os analistas financeiros fundamentalistas acompanham a montanha russa das ações do setor de tecnologia da mesma forma que intérpretes da obra de Nostradamus, só encaixando causa e efeito solidamente depois dos fatos consumados.
No Brasil, dinheiro entra, dinheiro sai, empresas quebram enquanto outras mantêm ou expandem seus investimentos na área pontocom. Um pequeno número de empresários inseguros vende seus negócios do futuro e outro grupo ainda menor desacelera sua caminhada em direção ao mundo virtual digital. Profissionais das mais diversas patentes são demitidos e outros contratados para os mesmos postos.
Como fazer previsões num cenário tão confuso, composto de fatos tão díspares???
Uma saída é captar as expectativas do setor a partir de estatísticas como as da Pesquisa Bra$il (vide www.cybereconomist.com.br). Com estes dados pode-se ao menos prever com um elevado grau de segurança se estamos diante de um novo período de crescimento do setor pontocom ou se, pelo contrário, caminhamos no sentido inverso, tendendo a abandonar o conceito de nova economia na prática empresarial. Mas a tônica de pesquisas como estas é o como lidar com a Internet eficientemente, deixando à margem a percepção de oportunidades ímpares.
Enfim, como saber em que setores da nova economia circulará o dinheiro? Pois se não soubermos por onde corre o fluxo de investimentos e vendas, nossa navegação por estes mares revoltos pode ser tão lenta quanto perigosa.
No livro "Economia da Internet" defendi a idéia de que o setor que mais se beneficiaria da Internet seria aquele que pudesse fazer o uso mais intenso de seus recursos. Despontou então a imagem de uma empresa de consultoria trabalhando em rede numa escala global, com o uso intensivo de técnicas de teletrabalho e de novos conceitos de parceria e de empreendedorismo. Uma empresa onipresente tanto em oferta de serviços quanto em atividade produtiva.
De fato, empresas como esta podem retirar o melhor da Internet. Mas ainda que multipliquem por muitas vezes seus resultados, o tamanho de seus mercados consumidores e a produção que podem atingir não é nada se comparado a Indústrias tradicionais.
Encerramos o ano 2000 com a Ford apurando reduções de custos da ordem de consideráveis milhões de dólares graças à implementação de um projeto de e-procurement, projeto este que, mesmo estando em fase seminal, destrói o controvertido e já muito criticado (amém) paradigma de que projetos de Internet precisam de muitos anos antes de resultarem em lucro.
Como a Ford, há milhares de empresas gigantescas que apenas começaram a explorar algumas das muitas possibilidades da Internet. Os bons resultados quase imediatos que estão obtendo parecem impulsioná-las na direção de projetos mais ambiciosos.
Voltando à temática nacional, o mergulho profundo dos bancos nas águas internautas, que previ em 1996, está começando a ser eclipsado por outras áreas, e assim como o BRADESCO puxou seus concorrentes para o Novíssimo Mundo, o grupo Pão de Açúcar, agora através do Amélia.com, comanda uma nova incursão de peso.
Decerto que o BRADESCO de hoje não goza do mesmo positioning de banco internauta após as muitas duras e caras batalhas de marketing que têm sido travadas no setor, merecendo especial atenção o E-Pronto do Banco do Brasil e o "irroba" do Itaú, mas o BRADESCO não era exatamente o que chamaríamos de azarão nos idos de 1995, não é?
E o grupo Pão-de-Açúcar? Alguém teria a coragem de chamá-lo de azarão em 1998?
BRADESCO e Pão-de-Açúcar eram firmas vencedoras de setores tradicionais que resolveram empenhar-se seriamente na conquista dos benefícios possíveis do uso comercial da Internet. Casos como o da IBM, que apesar de ser tradicionalíssima encontrou na veiculação de uma nova imagem, mais ligada ao mundo conectado, uma solução para sua crise de vendas, são raros.
Novidade das novidades: Para onde corre o dinheiro?
Para onde sempre correu: dinheiro procura dinheiro.
Quem são os novos vencedores?
São os antigos vencedores que cedo ou tarde aprendem a usar a Internet para fins comerciais e que, desta forma, cortam milhões de dólares em custos e somam milhões de dólares em receita sobre os bilhões de que dispõem.
Esta previsão é frustrante?
Não se aflija, vou resumir num rápido e objetivo conselho: fique de olho no B2B das maiores e mais tradicionais empresas de cada setor da economia nacional.
Data de Publicação: 29/12/2000
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