Enviar artigo | Faça seu comentário
Pagamento: fazendo opções para o Comércio Digital
Eduardo Wyllie
O risco de intercepção do número de cartões de crédito já foi indicado como o grande vilão do crescimento do comércio digital via Internet. Mas as opções de pagamento virtual são bem mais vastas do que geralmente se supõe.
Muito antes da difusão do uso comercial da Internet, antes mesmo do surgimento da Rede das Redes, o pagamento virtual já era uma realidade. Ao menos o dinheiro vivo há tempos não precisa comparecer em estabelecimentos que vendem bens ou serviços acima de US$20,00.
O caixa pergunta: “Vai pagar em cheque, dinheiro ou cartão?”
Mas em cheque ou em cartão ninguém paga, pois pagar é única e exclusivamente dar moeda em troca de um produto. Quando se autoriza o débito no cartão, quem paga é a administradora; se emitimos um cheque, quem paga é o banco. Portanto, se um dono de posto de gasolina disser que muita gente paga com cheque sem fundos, não acredite, pois se o cliente emite um cheque e este, seja por que motivo for, não puder ser descontado, ninguém pagou pela gasolina.
Calotes e mais calotes e os vendedores ainda não se deram conta de que já lidam com pagamento virtual desde o início de suas carreiras... Alguém se faz passar pelo titular do cartão de crédito e nunca mais aparece; alguém enche o tanque do automóvel com um cheque roubado e some na poeira da estrada... Estas são velhas histórias muito conhecidas pelos empresários, mas agora está surgindo o reverso da medalha, pois o cerne da questão não deveria ser a virtualidade do pagamento, mas quem arcará com o ônua se o negócio não se concretizar.
No mundo real, quem sofre com cheques sem fundos e cartões roubados são os empresários, enquanto que no mundo digital, as vítimas são os compradores. E se são os compradores, então o risco de comprar de uma ou de outra forma deve ser avaliado, aceito ou recusado por eles.
Aos empresários, cabe oferecer o maior número possível de opções de pagamento. Algumas serão mais arriscadas, seja por exigir confiança nos vendedores ou na segurança do sistema, enquanto outras terão um risco muito reduzido, sendo entretanto bem mais trabalhosas.
Enviar o número do cartão de crédito através de um formulário encriptado parece ser a escolha mais prática para comprador e vendedor, pois dispensa o deslocamento do cliente ao mesmo tempo que permite trabalhar com diferentes moedas, ocorrendo conversão de câmbio automática na efetivação do pagamento.
A praticidade, naturalmente, tem seus riscos. No caso em questão, a captura do número por terceiros e o registro de valores diferentes dos anunciados pela própria firma.
A mais segura seria o pagamento contra-entrega, tendo o inconveniente de encarecer consideravelmente os custos de transporte, além de exigir uma pessoa de plantão com o dinheiro no bolso no local da entrega.
Na sanha de resolver um problema que não era técnico, mas cultural, foram desenvolvidas formas bastante criativas e, na minha opinião, excelentes de negociar na Rede, que transitam entre os extremos das duplas praticidade-risco e dificuldade-segurança.
Um merecido destaque, por ser aquela solução genial pela simplicidade do conceito que passou despercebido pela maioria, cabe à impressão de fichas de compensação bancária no equipamento do cliente.
Bem mais complexa e revestida de novas tecnologias são as ditas moedas eletrônicas, que pedem do consumidor o depósito, em vil metal, nas contas de uma empresa que atua como casa de câmbio.
O risco se torna mínimo, mas, para variar, não podemos dizer que seja prático ter que converter de tempos em tempos dólares em bits. Mas quem sou eu para criticar? Não sou universo de pesquisa, sou apenas um comprador com minhas preferências pessoais.
Por que não oferecer ainda depósitos em conta corrente, como tantos hotéis pedem em alta temporada? Transferências via home banking, envio de cheques nominais por correio postal, pagamento de créditos no cartão de crédito do vendedor a título de pagamentos antecipados...
Cheguei a tomar conhecimento de pedidos por formulário eletrônico via WWW com posterior envio do número do cartão por e-mail.
No meu caso, pelo menos até o momento que terminei de redigir este artigo, não funcionou. Talvez não tenham casado o pedido com o e-mail... Mas o que importa?
O importante é deixar o consumidor decidir. Afinal, agora o risco é dele.
Data de Publicação: 18/09/2001
Enviar artigo | Faça seu comentário
|