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De Marketplace a Marketspace e de Marketspace a Marketfog
Eduardo Wyllie
No início, mercado era um local, uma praça, uma rua ou conjunto de ruas, onde compradores e vendedores se encontravam para fechar negócio. Historinha velha não acham? Todo mundo que se interessa por marketing já ouviu falar da evolução do conceito de mercado. Mas fique firme, leia o artigo, porque conceitos como estes estão defasados, e vou além deste lugar comum.
Da feira ao ar livre, o mercado foi para debaixo de grandes áreas cobertas, depois passou a ser sinônimo de ruas ou quarteirões cheios de lojas e por fim, dentro deste mesmo conceito, evoluiu para Shopping Centers.
Isto tudo continua existindo e funcionando, mas ainda na Antigüidade os comerciantes passaram a considerar também como mercado cidades e terras distantes.
Na segunda metade do século XX, com o surgimento e difusão de teorias de marketing, grupos de pessoas passaram a ser considerados como mercados. Mas ainda assim, na prática, a vinculação entre as pessoas que negociavam e a região onde estavam era clara. As empresas, mesmo as multinacionais, agiam de acordo com cada região onde atuavam, e a expressão marketplace continuava representando até então fidedignamente o que se passava na mente de qualquer negociante quando pensava em mercado.
A Internet permitiu quebrar pela primeira vez a vinculação entre as pessoas e o lugar onde compram/vendem. No comércio eletrônico a visualização de mercados é tão complexa que até autoridades judiciais ficam em dúvida quanto a "onde" os negócios se realizam na Rede.
Quando eu, em Porto Alegre, comprei um cachecol escocês na loja virtual de uma importadora sediada em Indiana, nos Estados Unidos, poderia até dizer que a negociação envolveu uma compra no Rio Grande do Sul apesar da venda ter ocorrido em Indiana. Mas onde foi fechado o negócio? No local onde estava o computador que abriga o site da importadora americana, seja lá onde isto for?
Confuso, não é???
Então criaram a expressão marketspace, que concede maior amplidão ao conceito de mercado. Mas será suficiente?
Com um esforço da imaginação podemos "visualizar" um espaço virtual onde se encontrariam compradores e vendedores independentemente de onde estiverem fisicamente.
Sim, marketspace é um passo a mais, porém denota a dificuldade de pensar em mercado sem pensar em lugar. Não é fácil, pois há milhares de anos pensamos desta forma...
Para aproveitar o potencial da Internet, não se pode abrir mão do marketing one to one, e com ele podemos atender a públicos tão distintos que não seria útil considerá-los como subgrupos. O ideal na Internet é tratar cada cliente de forma individual. Assim, consideramos suas características pessoais, além das culturais, e fica bem mais fácil conquistar sua fidelidade.
Enquanto a Internet permite o acesso a clientes de naturezas tão heterogêneas, as tecnologias como as de datawarehouse viabilizam trata-los com individualidade. Na Rede, entender mercado como um grupo de pessoas com um mesmo perfil pode ser completamente desnecessário, e uma vez conseguindo realizar o marketing one to one, pensar em mercado como marketplace ou mesmo como marketspace levaria na melhor das hipóteses a lugar nenhum.
Proponho então uma nova expressão que modifica o conceito de mercado para atender às características do comércio eletrônico. Que tal marketfog?
Na Internet vendemos para todo tipo de pessoa ainda que cada consumidor esteja a milhares de quilômetros do outro. Se pudéssemos olhar para todos nossos potenciais clientes na Internet de uma só vez, o que veríamos? Algo como uma névoa ao redor de praticamente todo o mundo.
Tem negócios na Internet? Então, quando pensar em mercado pense em marketfog, e só assim terá a chance de aproveitar o imenso potencial do comércio eletrônico.
Data de Publicação: 14/12/2001
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