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Novos Horizontes com E-Business (Parte II)
A Multiplicação das Parcerias
Eduardo Wyllie
Em 1995, durante o desenvolvimento de minha dissertação de mestrado (O Uso da Internet na Firma -
www.cybereconomist.ecn.br/portugues/download.html),
assisti uma palestra de Steve Miller sobre e-business antes mesmo desta expressão ter sido inventada. E como economista que sou, tentei aproveitar a oportunidade para colher informações sobre a existência e a dimensão dos retornos sobre investimentos em termos de produtividade e aumento de vendas. Afinal, é sabido que se passaram muitos anos até que investimentos em tecnologia da informação se tornassem lucrativos, o que era conhecido como paradoxo da produtividade.
A resposta de Miller, naquela época, me pareceu uma fuga, mas alguns meses depois a sensatez que refletia teve o poder de reorientar minhas prioridades na coleta de dados sobre e-business e alterou definitivamente minhas conclusões. A idéia geral de sua resposta, que mantenho viva na lembrança, é: "Não se trata de ganhos com a Internet, mas de uma nova maneira de fazer negócios."
Hoje em dia isto é muito claro para mim; a essência e a mola mestra de uma revolução são a mudança da forma de pensar e de agir. E uma vez que tenha se espalhado, seguem-se suas conseqüências sobre a produtividade e a produção de maneira absolutamente natural. É preciso entender e se acostumar às novas formas de produzir e realizar negócios para que possamos auferir os lucros que as novas tecnologias podem nos proporcionar, para que possamos vislumbrar as novas oportunidades.
Quais são os novos horizontes com e-business?
Teremos que experimentar expandir nossos limites e descobrir até onde podemos ir, mas muita coisa já foi descoberta e pode ser compartilhada. Esta é minha intenção ao escrever mais um artigo da trilogia "Novos Horizontes com E-Business". O primeiro artigo, disponibilizado no The CyberEconomist
(www.cybereconomist.com.br),
trata de produtos de demanda dispersa e de demanda oculta. Este é o segundo artigo e buscará descrever alguma coisa sobre o novo tipo de concorrência empresarial. O terceiro está no Internet Negócios
(www.internetnegocios.com.br),
e fala sobre o novo estilo de vida que surge, dando uma visão de contexto do mundo a partir do século XXI.
Por hora, voltemos nosso pensamento aos últimos anos do século XVIII. O primeiro professor de economia, Adam Smith, já considerava a importância dos mecanismos de concorrência antes de aconselhar a melhor ação dos governos. Defendia a tese de que uma "mão-invisível" levava o mercado a se equilibrar sozinho. Por isso pregava que o estado deveria intervir o mínimo possível na economia. O que talvez não soubesse, era que a tal mão-invisível não era nada além da concorrência de mercado reafirmando a lei da oferta e da procura. Imagine que a procura por um determinado produto aumenta consideravelmente. As empresas já estabelecidas e que atuam naquele mercado aumentam sua produção, enquanto outras empresas passam a produzir o tal produto e, se a escassez for realmente grande, novos produtores se apresentam. A oferta do produto então aumenta e se equilibra com a demanda.
Com o passar do tempo, foram elaborados diversos modelos de concorrência de mercado, indicando quais as quantidades a serem produzidas individualmente por cada empresa e qual o preço a ser pedido para maximizar os lucros.
Dispondo de um pouco de bom senso, não seria necessário montar modelos para descobrir que a forma de concorrência mais lucrativa deve ser a que mais se aproxima do monopólio. Mas conseguir ser monopolista não é tarefa fácil. O fim do século XX se caracteriza pela globalização de mercados, se antes bastaria ser o único apto a produzir algo na região, hoje, para ser monopolista, na maioria dos casos é preciso ser o único no mundo apto a produzir um determinado bem ou serviço. Mas apesar de as novas tecnologias da informação servirem de importante apoio para a globalização, também oferecem novas opções para atenuar o acirramento da concorrência. É exatamente aí que surge uma das mais novas e promissoras oportunidades comerciais com o e-business.
Lembram-se do ditado "se não pode vencê-los, junte-se a eles"?
Pois hoje você concorre com o mundo, e por isso certamente encontrará concorrentes à sua altura. E ele o encontrará. Lutar contra eles é se arriscar a perder a batalha e, mesmo quando ganhando, é se desgastar inutilmente, porque em pouco tempo surgirá um novo concorrente de mesmo porte e qualidade.
Por outro lado, aliar-se é multiplicar vantagens competitivas. Assim, os países começaram a formar mercados comuns, estabelecendo blocos econômicos. As empresas, por outro lado, criaram seus próprios modelos de parceria, atuando ao mesmo tempo como concorrentes num determinado mercado e como aliados em outro mercado.
A mente do empresário do século XXI não funciona como a do século XX. Os pensamentos que antes se assemelhavam às estratégias de bárbaros, tentando destruir seus concorrentes e se apoderar de seus bens, agora voltam-se ao refinamento de manobras diplomáticas. As batalhas sangrentas, onde escoavam rios de dinheiro, foram sabiamente deixadas como último recurso.
A nova cartilha econômica não se baseia mais na concorrência, seus fundamentos estão na parceria. E não me refiro a parcerias como o casamento monogâmico, mas a redes intrincadas de todo o tipo de alianças entre todo o tipo de instituições.
Ao invés de uma tendência ou modismo, esta nova forma de fazer business é um destino inescapável e cujo avanço me surpreende, pois ainda hoje verifiquei que 64% das empresas que responderam à Pesquisa Bra$il
(www.cybereconomist.com.br)
declararam usar a Internet para possibilitar projetos em parceria.
Quantos mais não estarão tendo tais preocupações até o fim do ano?
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