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A guerra bate à porta
Alberto Centurião
O conflito está cada vez mais acirrado. Depois das cenas de guerra em Washington, no Oriente Médio e em Nova York, todo mundo no mundo todo está intimado a tomar posição a favor de um dos lados. Até nós, aqui no Brazil, gente pra lá de pacata, sentimos que a guerra nos bate à porta.
Fala-se muito em religião, política, comércio internacional, preconceitos de todo tipo, imperialismo, racismo, fanatismo e outros ismos. Pra quem quer brigar, qualquer pretexto vale. A propaganda de guerra está na TV, na imprensa e na internet, fornecendo pretextos ao gosto do freguês.
Genocidas de um lado acusam de genocídio os genocidas do outro lado. Contabilizam-se os milhões de vidas ceifadas pelos do outro lado, esquecendo-se de fazer a conta dos próprios cadáveres guardados no armário. Povos e países que já foram vítimas de genocídio praticam atentados e bombardeiam alvos civis. Os inimigos de hoje eram os aliados de ontem.
Como se mata mais? Com homens-bombas ou com embargos econômicos?
Fundamentalismo de mercado de um lado, fundamentalismo religioso de outro.
Nacionalistas e globalistas usam métodos distintos para obterem colheita igualmente macabra – morrem uns de atentados, outros de aids, muitos outros de miséria. Morre-se de pobreza, ignorância e insensibilidade. Mata-se por egoísmo e falta de amor.
Mais uma vez o mundo está dividido.
De um lado os que querem a paz, do outro os que querem a guerra.
De um lado os que amam, do outro os que odeiam.
De um lado os que querem o progresso de todos, do outro os que acreditam que só é possível ser feliz à custa da miséria.
De um lado os catalogados por raça, credo e país, do outro a raça humana.
De um lado “nós contra eles”, do outro lado “nós todos juntos”.
Em qualquer lugar do mundo, dentro de qualquer país, os dois lados estão meticulosamente misturados. Numa mesma casa, na mesma família, se encontram pessoas de um lado e de outro. Os que querem a guerra e os que querem a paz. Os que fazem a guerra e os que fazem a paz, em qualquer coisa que estejam fazendo.
Entre esses dois lados, balança o nosso coração. Num momento estamos em paz e no momento seguinte entramos em guerra. Temos que deixar de ser joguetes da propaganda de guerra e seguirmos nossas próprias convicções.
Governantes e generais não fazem a guerra sozinhos. Atrás deles há sempre uma multidão pedindo guerra, a mesma multidão cujos filhos vão matar e morrer no front.
Os fanáticos suicidas nada fariam se atrás deles não houvesse uma legião de fanáticos anônimos, insuflando e sustentando sua atividade macabra.
Enquanto a sociedade aceitar como justas as ações de retaliação com objetivo de vingança, estará irremediavelmente presa ao ciclo sangrento das vinganças sucessivas.
Estão formadas as fileiras. De um lado os que querem a guerra, do outro os amigos da paz. Escolha o seu lado. Eu já escolhi o meu e quero você – viv@ - ao meu lado.
Data de Publicação: 10/10/2001
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