Enviar artigo | Faça seu comentário
WideBiz

Globalização, a filha da luta
Alberto Centurião

Eu Globalizo / Tu Globalizas / Ela Globeleza.

Não, globalização não é ficar todo mundo assistindo a Rede Globo. Como o distinto leitor já suspeitava, trata-se de uma tendência evolutiva do sistema econômico mundial. Tendência irreversível. Um fato. Não é lógico negar um fato, ou tentar erguer um dique, na tentativa de impedir o avanço de uma onda avassaladora.

O fato de ser um fato não torna a globalização necessariamente boa. E o fato de não ser sempre boa não a faz sempre má. Como toda roda de renovação, ao rodar, esmaga alguns e levanta outros - esmagando a princípio mais do que levanta. Levantando quem a faz girar e esmagando quem não tem controle sobre ela.

A Globalização, moda lançada por Marco Polo e/ou Vasco da Gama, não é novidade.

O que a História tem mostrado é que as revoluções econômicas - de tendência socialista ou capitalista, de base econômica ou tecnológica - trazem benefícios e prejuízos, vantagens e desvantagens. Não houvesse benefícios, não seriam aceitas e não se viabilizariam.

As revoluções não surgem como modelos prontos e acabados. Vão se modificando ao longo do tempo, corrigindo o rumo em pleno vôo. Grandes desgraças e injustiças flagrantes acabam por dar origem a novos regramentos.

Nenhum modelo sócio-político-econômico até hoje se mostrou totalmente eficaz na prática. Nenhum regramento internacional funciona como deveria. Todos os modelos tentados apresentaram vantagens e inconvenientes.

Os termos da Globalização em curso têm sido ditados pelas economias mais desenvolvidas - que impõem a prática Global para garantir o interesse local. Globalizar os mercados, nacionalizando os lucros. Até quando conseguirão manter esse enfoque? Até o dia em que os mercados menos desenvolvidos adquiram peso suficiente na balança para fazerem valer também os seus interesses. E esse dia chegará, é inevitável. Já chegou para cenários regionais, como a Europa.

Em meu livro Brasil 500 Anos de Mau Atendimento (Educator-2000), citei os colonizadores portugueses, que tiveram uma atitude no Brasil - escravizando as populações nativas - e outra muito diferente quando aportaram na Índia e no Japão, estabelecendo intercâmbio comercial baseado na reciprocidade. Como explicar essa diferença de atitude do mesmo agente globalizador, senão pela maior consciência de seus direitos, por parte daquelas populações?

A questão é: Já que é inevitável, como podemos enfrentar a globalização, tirando proveito dela ou evitando seus inconvenientes mais graves?

O que podemos fazer para enfrentar os aspectos perversos da globalização? E também para melhorar nossos governos, ou nos livrarmos deles de vez?

Educação e distribuição de renda, é tudo que precisamos.

Fala-se muito em saúde e segurança, mas trata-se de meros sintomas da ignorância e da pobreza. O mesmo vale para a exclusão social, fruto da ignorância.

O que torna as empresas locais indefesas ante a chegada dos concorrentes internacionais? Basicamente a desinformação (com seus dois filhos, a desorganização e o atraso tecnológico) e a falta de um mercado interno maior (decorrente da má distribuição de renda).

Nosso problema (do Brasil e de todos os outros países “emergentes” ou “submergentes”) pode ser sanado com esforços concentrados em educação e distribuição de renda.

Então por que não se investe seriamente em educação de base? - Porque dá resultado em quinze ou vinte anos e os governos, que duram quatro anos, preferem investir no que aparecerá antes da próxima (re)eleição. E porque a maior parte daqueles que detém a informação prefere fazer dela um instrumento de poder, acentuando a exclusão cultural e social.

Então por que não se providencia logo a tão falada distribuição das fatias do “bolo” da riqueza nacional? Miopia econômica dos que, para se sentirem “ricos”, precisam que outros sejam pobres. Crença no paradigma ­ falso - da “riqueza finita, que não seria suficiente para todos”.

Já que a solução não virá por meio dos governos e outras vias institucionais do poder político ou econômico estabelecido, o que podemos fazer nós - vendedores, consultores, professores, executivos, empresários e trabalhadores em geral ­ nós, cidadãos - para mudar essa realidade?

Ensinar. A tudo e a todos, o mais que pudermos, tudo quando pudermos. Informar. Buscar informação e a disseminar - incessantemente ­ em atividade remunerada ou não. Ajudar gente excluída, a se inserir no processo produtivo, onde possam aplicar a informação recebida. Ajudar empresas ameaçadas a se renovarem para enfrentar novas realidades, através da informação atualizada.

E vamos à luta, que a vitória é filha da luta!

Data de Publicação: 03/08/2001


Enviar artigo | Faça seu comentário